
Imagem: BRASÍLIA, DF, 03.02.2017/Alan Marques/Folhapress
O ex-presidente Michel Temer voltou a se manifestar sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes e afirmou que mantém sua posição quanto à indicação feita ao Supremo Tribunal Federal. Sem hesitação, declarou que não se arrepende da escolha.
A fala ocorre em um cenário de críticas e pressão sobre o Supremo, especialmente em relação ao papel do Judiciário em decisões que impactam diretamente o ambiente político e eleitoral. Nesse contexto, Temer adotou tom firme ao sustentar que Moraes teve atuação relevante em momentos de instabilidade, contribuindo para a manutenção da ordem institucional.
Segundo o ex-presidente, a condução do ministro durante o período eleitoral foi determinante para garantir a realização das eleições. Ele destacou que as decisões tomadas ajudaram a conter tensões e asseguraram o funcionamento do processo democrático dentro dos limites constitucionais.
Temer também resgatou os critérios que embasaram a indicação feita em 2017. À época, afirmou, pesaram o perfil jurídico e a experiência de Moraes em funções estratégicas, como o Ministério da Justiça. Para ele, a trajetória do ministro ao longo dos últimos anos confirma a solidez da escolha.
Outro ponto abordado pelo ex-presidente foi a distinção entre imprensa profissional e redes sociais. Temer destacou que a Constituição assegura a liberdade de informação, da qual derivam a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, mas veda o anonimato – prática que, segundo ele, se tornou recorrente nas plataformas digitais. Na avaliação do ex-presidente, o anonimato contribui para a radicalização do debate público e para ataques que extrapolam os limites constitucionais.
Ao ampliar a análise, Temer também destacou a resistência institucional do país ao longo das últimas décadas. Ele citou os processos de impeachment de Fernando Collor e Dilma Rousseff como momentos de forte tensão política, mas ressaltou que as instituições brasileiras se mantiveram estáveis. Para ele, apesar de traumáticos, esses episódios não comprometeram a ordem democrática.
Temer afirmou ainda que a Constituição de 1988 demonstra solidez ao atravessar diferentes crises políticas. Nesse sentido, reforçou que a atuação da imprensa livre, com espaço para crítica, é um dos pilares da democracia – realidade, segundo ele, inexistente em períodos autoritários.
As declarações ganham peso em meio ao debate nacional sobre os limites de atuação do STF e o protagonismo da Corte em temas sensíveis. Sem confrontar diretamente as críticas, Temer tem defendido a necessidade de equilíbrio institucional e diálogo entre os Poderes como caminho para reduzir a polarização.
O posicionamento do ex-presidente recoloca no centro da discussão o papel do Supremo na condução de crises e na preservação da democracia – tema que segue dividindo opiniões no cenário político brasileiro.
