Uma fotografia de Costanza Peña, filha do presidente paraguaio Santiago Peña, gerou forte repercussão nas redes sociais em um momento delicado para o país. A jovem, que estuda na Universidade Columbia em Nova York, foi vista usando uma camiseta com a inscrição em inglês “Tax the poor”, que em tradução livre significa “Taxem os pobres”. A imagem provocou críticas de cidadãos, políticos e veículos de comunicação no Paraguai.
A polêmica surge enquanto milhares de clientes do Ueno Bank enfrentam dificuldades para acessar seus fundos após a intervenção do Banco Central paraguaio na instituição financeira.
A fotografia, que teria sido compartilhada inicialmente em um perfil privado de Costanza, mostra a estudante em frente a um espelho, em uma academia, vestindo a peça de roupa. A frase na camiseta é uma inversão do conhecido slogan “Tax the rich” (“Taxem os ricos”), frequentemente utilizado por movimentos que defendem tributação mais elevada para pessoas de alta renda.

Reprodução/Instagram/@cooooospeeeee
Até o momento, não há confirmação oficial de que a escolha da camiseta por Costanza Peña represente uma declaração política em relação à crise atual, nem um posicionamento público da jovem sobre a repercussão. A controvérsia sobre a camiseta da filha do presidente se desenrola em um cenário de instabilidade política no Paraguai.
Na quinta-feira (5), Santiago Peña anunciou sua renúncia após a Câmara dos Deputados iniciar um processo de impeachment. Contudo, o Congresso não aceitou a renúncia, com parlamentares governistas retirando-se de uma sessão e impedindo a votação por falta de quórum. O processo de destituição segue agora para análise do Senado.
Na sexta-feira (6), Peña não compareceu à sessão de julgamento. O Senado rejeitou um pedido da defesa para adiar a apresentação de argumentos, alegando falta de tempo para analisar as acusações. O julgamento busca afastar o presidente do cargo, necessitando de 30 dos 45 votos dos senadores.
A crise financeira teve seu epicentro na intervenção do Banco Central no Ueno Bank, devido a graves problemas de solvência. O banco, que atendia cerca de 3 milhões de clientes, teve suas operações suspensas, impedindo saques e transferências. A instituição também administrava fundos de órgãos públicos, incluindo a Previdência Social, com estimativas apontando mais de US$ 800 milhões em depósitos estatais.
A situação levanta questionamentos sobre as relações do banco com seu grupo empresarial e a atuação de autoridades reguladoras, com o Ministério Público investigando possíveis irregularidades. O presidente Peña nega responsabilidade e afirma que apresentará sua defesa.
Com informações de: R-7
