
Uma greve de motoristas do transporte escolar está prejudicando as aulas em Bocaina, no interior do Piauí. Segundo o vereador Vando Sampaio (PSD), os profissionais suspenderam o serviço por falta de pagamento. As reclamações na rede municipal incluem ainda salários atrasados de professores e alunos liberados mais cedo porque não havia merenda.
A cobrança aparece também em um cartaz enviado à reportagem: “O prefeito não paga!”. O material anuncia a greve dos motoristas, afirma que as aulas foram prejudicadas e exige que a prefeitura honre seus compromissos com os trabalhadores.
Morador da localidade Varjoata e pai de uma aluna, Anísio da Silva diz que professores efetivos e contratados chegam a acumular de dois a três meses sem receber. Ele atribui as faltas dos docentes ao atraso salarial e relata que o prefeito prometeu regularizar os pagamentos em reunião com os trabalhadores.
Anísio relata ainda que estudantes foram mandados para casa antes do fim do turno por falta de merenda. Vando cobra que a prefeitura informe as famílias sobre a situação e tome providências para que as interrupções não comprometam o encerramento do ano letivo.
As queixas vão além das escolas. Trabalhadores da limpeza também ameaçam parar se os pagamentos não forem regularizados. Anísio relata cortes de energia em prédios públicos, entre eles a Secretaria de Agricultura, onde a interrupção teria prejudicado atendimentos e a emissão de documentos para agricultores e pescadores.
A oposição tentou levar os secretários de Educação, Saúde e Assistência Social à Câmara para explicar os problemas. Vando afirma que a convocação foi proposta pelos três vereadores do grupo, mas rejeitada pelos seis parlamentares da base governista. Para ele, a decisão dificulta a fiscalização da gestão.
A prefeitura é comandada interinamente por Naldo Leão desde 1º de abril, quando Guilherme Portela de Deus Macêdo se licenciou. O afastamento do titular também é alvo de questionamento: segundo Vando, tanto o prefeito licenciado quanto o gestor em exercício recebem cerca de R$ 18 mil por mês, cada um.
O vereador afirma que denunciou a situação ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí em setembro. Na interpretação dele, a Lei Orgânica municipal não autoriza a remuneração do prefeito durante uma licença por interesse particular.
O Portal Atualize tentou ouvir o prefeito e o secretário de Educação, mas ambos encerraram as ligações sem apresentar respostas. Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Bocaina não havia se manifestado.
