A reformulação do IPTU em Teresina, aprovada em segunda votação na Câmara Municipal, intensificou o debate político e trouxe à tona divergências sobre os efeitos da medida na vida dos contribuintes. A proposta, apresentada como correção de distorções históricas, enfrenta resistência de parlamentares que apontam aumento significativo para parte da população.
Durante a discussão, os vereadores Leôndidas Júnior (PSB) e Petrus Evelyn (PP) se manifestaram sobre o projeto, evidenciando posições distintas em relação ao novo modelo tributário.
De acordo com os defensores da proposta, não se trata de um aumento generalizado. Dados apresentados em plenário indicam que cerca de 58% dos contribuintes devem ser beneficiados, sendo que 33% ficarão isentos e outra parcela passará a pagar menos. O projeto também estabelece um escalonamento de até dez anos para imóveis considerados subtributados.
A base favorável sustenta que a medida busca corrigir uma lógica histórica em que imóveis de maior valor contribuíam proporcionalmente menos. O argumento central é que a reformulação promove maior equidade fiscal e enfrenta distorções no sistema.
Em contraponto, o vereador Petrus Evelyn critica o modelo, especialmente o escalonamento previsto. Segundo ele, mesmo diluído ao longo dos anos, o reajuste pode chegar a 25% em alguns casos, o que considera elevado para a realidade econômica de parte da população.
O parlamentar também questiona o alcance da proposta no combate à especulação imobiliária, afirmando que grandes proprietários não foram atingidos de forma proporcional. O debate ganhou repercussão nas redes sociais e chegou a envolver menções à possibilidade de questionamentos no Conselho de Ética, hipótese descartada com tranquilidade pelo vereador.
A discussão também passa por aspectos técnicos. Um relatório do Tribunal de Contas do Estado foi citado durante o debate como base para a reformulação, embora haja divergências sobre sua interpretação e alcance.
A aprovação do projeto consolida uma das principais mudanças na política tributária recente de Teresina e evidencia um embate central: equilibrar arrecadação e justiça fiscal sem ampliar o peso sobre quem já sente no bolso.
