Piauí lidera exportação de mel orgânico e transforma vida de agricultores

De acordo com Francisco das Chagas, enquanto o quilo do mel é comercializado por cerca de R$ 14, um grama de apitoxina pode chegar a R$ 250 no mercado.

A apicultura tem se tornado um dos principais motores econômicos para os agricultores familiares do Piauí, com impacto em todos os territórios de desenvolvimento do estado. No semiárido piauiense, a atividade vem ganhando espaço como uma das mais promissoras, gerando emprego, renda e oportunidades de exportação.

Em 2025, foram produzidas cerca de 9 mil toneladas de mel, com um faturamento de aproximadamente R$ 120 milhões, fruto das vendas para mercados internacionais como Estados Unidos, Itália, França, Alemanha, Reino Unido e Japão. Hoje, o estado é o maior exportador de mel orgânico do Brasil, envolvendo cerca de 12 mil famílias na cadeia produtiva.

O crescimento da apicultura no Piauí é impulsionado por ações coordenadas entre a Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e outros órgãos estaduais. Investimentos em infraestrutura, como a construção de 40 casas de mel e a distribuição de 15 mil caixas para produção apícola, além de capacitações técnicas, foram fundamentais para esse avanço. Segundo Francisco das Chagas Ribeiro, diretor de Projetos para os Territórios do Semiárido da SAF, os recursos aplicados nos programas Piauí Sustentável Inclusivo (PSI) e Pilares de Crescimento e Inclusão Social foram decisivos para consolidar o estado como referência no setor.

Além do mel tradicional, o Piauí também se destaca pela inovação na produção apícola. Um exemplo é o projeto da Cooperativa de Desenvolvimento Rural do Vale do Rio Piracuruca (Codevarp), apresentado durante o Congresso Brasileiro de Apicultura (Conbrapi), em Florianópolis.

A iniciativa explora a extração de apitoxina, substância retirada do veneno das abelhas e considerada um dos produtos de maior valor comercial da cadeia. Enquanto o quilo do mel é comercializado por cerca de R$ 14, um grama de apitoxina pode chegar a R$ 250 no mercado, conforme destacou Francisco das Chagas. “A apitoxina, a própolis e a geleia real agregam muito mais valor à produção. Embora o mel seja o produto mais conhecido, existem outros derivados com valor comercial elevado”, afirmou.

Segundo o diretor de Projetos para os Territórios do Semiárido da SAF, Francisco das Chagas Ribeiro, o “Chicão”, os investimentos em infraestrutura e mecanização foram decisivos para ampliar a produção no estado.
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