Escrivão da Polícia Civil é condenado a mais de 17 anos por liderar organização criminosa no Piauí

A sentença do juiz Thiago Carvalho Martins, da Vara Única de Porto, foi dada na terça-feira (25).

Um escrivão da Polícia Civil, Carlos Alberto Pimentel, foi sentenciado a mais de 17 anos de prisão por seu papel central em uma organização criminosa que operava com desvio e venda de veículos apreendidos. A decisão foi proferida na última terça-feira (25) pelo juiz Thiago Carvalho Martins, da Vara Única de Porto.

Durante o período de 2018 a 2019, Pimentel teria se aproveitado da ausência do delegado titular para transformar a delegacia em um centro de atividades ilícitas, prejudicando a imagem da instituição.

As investigações revelaram que o escrivão não agia isoladamente. Ele contava com a colaboração de Ronaldo Rocha de Queiroz, um mecânico, e Bruno Machado Sampaio, bacharel em Direito.

Pimentel facilitava o acesso aos veículos apreendidos no pátio da delegacia e falsificava documentos para legitimar as transações. Queiroz era responsável por reformar os carros em sua oficina, enquanto Sampaio buscava compradores no mercado. O grupo lucrava de forma contínua com o patrimônio público e de terceiros.

Um dos casos destacados na condenação envolve a cobrança indevida de uma idosa. Rosa Carvalho Barros, apesar de possuir uma ordem judicial para reaver seu veículo, foi forçada por Pimentel a pagar uma taxa de R$ 400,00 para liberá-lo, sob a ameaça de ter o bem transferido para outra cidade.

O juiz ressaltou que essa ação demonstra uma “mercantilização da função pública”, com o servidor ignorando decisões judiciais em benefício próprio. A defesa de Pimentel não obteve sucesso ao alegar perseguição funcional e ausência de inventário oficial, diante das provas apresentadas, incluindo testemunhos de policiais militares que confirmaram o uso indevido de motocicletas apreendidas e a descoberta de boletins de ocorrência fraudulentos.

A pena unificada para Pimentel é de 17 anos, 10 meses e 3 dias de reclusão em regime fechado, além da perda do cargo. Seus cúmplices, Ronaldo e Bruno, receberam penas superiores a dois anos, substituídas por medidas restritivas de direitos. Carlos Alberto Pimentel não foi localizado para comentar a sentença.

Com informações de: GP1

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