UFPI recebe Patrulha Maria da Penha e amplia proteção às mulheres no campus

 

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) anunciou, nesta segunda-feira (31), a chegada da Patrulha Maria da Penha ao Campus Ministro Petrônio Portella, em Teresina. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), amplia as ações de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres no ambiente universitário.

A atuação da Patrulha será integrada aos serviços da Sala Lilás Janaína da Silva Bezerra. A proposta inclui rondas no campus, presença preventiva dos agentes e acompanhamento de mulheres que possuem medidas protetivas. O anúncio ocorreu durante evento no Cine Teatro da UFPI, com a participação da reitora Nadir Nogueira, representantes da rede de proteção e integrantes da comunidade acadêmica.

Segundo a reitora, a segurança deve fazer parte das políticas de permanência universitária, ao lado de iniciativas como restaurante, residência estudantil e assistência acadêmica. Nadir Nogueira destacou que a proteção da comunidade é um “dever do Estado” e depende da união entre a Universidade e os órgãos públicos.

A assistente social Nayara Marques, coordenadora da Sala Lilás, explicou que a presença da Patrulha Maria da Penha fortalece a capacidade de proteção oferecida pela Universidade. Como a Sala “não tem poder de polícia”, a parceria é considerada fundamental, sobretudo para mulheres que estão sob medidas protetivas e precisam circular pelo campus com segurança.

Instalada no Centro de Ciências da Saúde (CCS), a Sala Lilás oferece atendimento gratuito e sigiloso às mulheres vinculadas à UFPI, incluindo estudantes, professoras, servidoras técnico-administrativas e trabalhadoras terceirizadas, sejam elas cisgênero ou transgênero. O funcionamento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17h. Também podem ser realizados atendimentos por agendamento.

O trabalho está organizado em três eixos. O primeiro é o enfrentamento, com acolhimento, orientação, auxílio para a realização de denúncias e encaminhamento aos serviços da rede de proteção. O segundo é a prevenção, desenvolvida por meio de palestras, campanhas e rodas de conversa dirigidas a mulheres e homens. O terceiro é a formação de servidores para identificar situações de violência e oferecer o encaminhamento adequado.

A superintendente de Cidadania e Defesa Social da SSP-PI, Brenda Carvalho, informou que a cooperação entre o Estado e a Universidade foi formalizada há cerca de um ano. A Sala Lilás conta com assistente social e psicóloga cedidas pela Secretaria de Segurança, responsáveis pelo atendimento psicossocial e pelo direcionamento das mulheres a delegacias especializadas e outros órgãos da rede.

A estrutura recebeu o nome de Janaína da Silva Bezerra, vítima de um feminicídio ocorrido dentro da Universidade. O caso impulsionou a revisão das políticas de segurança e a adoção de novas medidas de acolhimento, prevenção e proteção às mulheres na instituição.

A coordenação da Sala Lilás também prepara um relatório anual com informações sobre os atendimentos realizados, as denúncias encaminhadas e os acompanhamentos em andamento. Embora os números ainda não tenham sido divulgados, Nayara Marques afirmou que a procura pelo serviço demonstra a necessidade de manter e ampliar as ações.

A programação desta segunda-feira também contou com uma roda de conversa sobre assédio, voltada às lideranças da UFPI. O encontro discutiu formas de prevenção, acolhimento e encaminhamento de casos de assédio e discriminação.

A expectativa da Universidade é ampliar gradualmente a parceria com a Patrulha Maria da Penha para os campi de Picos, Floriano e Bom Jesus. A meta, segundo a gestão da UFPI, é consolidar uma rede permanente de proteção e enfrentar todas as formas de violência de gênero dentro da comunidade universitária.

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