Esclerose Múltipla: avanços em tratamentos e prevenção moldam o futuro

Arquivo pessoal
Fernanda Cristina Meiken Monteiro, 44, trabalhava como farmacêutica bioquimica quando recebeu o diagnóstico, em 2015

No contexto da campanha Agosto Laranja, o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, celebrado em 30 de agosto, destaca a relevância do diagnóstico precoce para cerca de 40 mil brasileiros afetados pela condição.

A doença, que combina fatores genéticos e ambientais e se manifesta tipicamente entre 20 e 50 anos, atinge o dobro de mulheres em relação a homens. A data, instituída em 2006, busca aumentar a compreensão sobre a esclerose múltipla, uma enfermidade neurológica crônica e autoimune que ataca o sistema nervoso central, gerando lesões cerebrais e medulares.

Embora ainda não haja cura, a esclerose múltipla apresenta uma gama variada de sintomas, incluindo fadiga intensa, depressão, fraqueza muscular, dificuldades de equilíbrio e coordenação motora, dores articulares e disfunções intestinais e vesicais.

A comunidade científica global tem dedicado esforços consideráveis à pesquisa da EM, resultando em melhorias significativas na qualidade de vida dos pacientes. Um marco recente foi a aprovação pela Anvisa, em julho, da ampliação do uso do medicamento Ocrevus® (ocrelizumabe) para pacientes pediátricos a partir de 12 anos e com peso acima de 40 kg.

Este anticorpo monoclonal visa reduzir a atividade inflamatória associada à forma remitente-recorrente da doença, que, embora rara em crianças e adolescentes (3% a 5% dos casos), costuma apresentar alta atividade inflamatória e potencial impacto no desenvolvimento cognitivo e social.

As pesquisas mais recentes concentram-se em estratégias terapêuticas que atacam as células B, consideradas cruciais na atividade inflamatória da EM. Um estudo publicado em julho de 2026 no New England Journal of Medicine comparou o rituximabe e o ocrelizumabe em pacientes recém-diagnosticados com EM remitente-recorrente.

Os resultados indicaram que o rituximabe foi não inferior ao ocrelizumabe na prevenção de novas lesões cerebrais, com 92,2% de ausência de novas lesões para o rituximabe contra 94,8% para o ocrelizumabe entre o sexto e o 24º mês.

Essa descoberta reforça a eficácia da eliminação de células B como estratégia de controle da doença. Paralelamente, a pesquisa avança na busca por inibidores de BTK (tirosina quinase de Bruton), que atuam em células B e na imunidade inata, inclusive em áreas de difícil acesso no sistema nervoso central.

Embora promissores, esses tratamentos ainda não são considerados padrão, e alguns, como o tolebrutinibe, apresentaram resultados mistos em ensaios clínicos. O grande desafio atual é reverter o dano à mielina, com estudos explorando estratégias de remielinização, como clemastina e opicinumabe, embora nenhuma seja ainda uma solução comprovada.

A associação com o vírus Epstein-Barr (EBV) também tem sido um foco importante de pesquisa, com o desenvolvimento de anticorpos monoclonais contra proteínas do EBV em modelos animais, abrindo caminho para futuras vacinas e para a compreensão da prevenção da EM.


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Estudos têm avançado em novos tratamentos e medicamentos

Fernanda Cristina Meiken Monteiro, 44 anos, moradora de Sorocaba (SP), compartilha sua experiência com a esclerose múltipla, que ela descreve como uma “doença de mil faces”. Diagnosticada em maio de 2015 aos 33 anos, Fernanda relata o impacto progressivo da doença em sua vida, necessitando de auxílio para atividades básicas de higiene e alimentação.

Desde 2020, ela observa um declínio clínico rápido e tem passado por trocas frequentes de medicação, enfrentando o alto custo do tratamento, que, segundo ela, não é totalmente coberto pelo SUS e não está incluído no Rol da ANS para planos de saúde.

A busca por tratamentos mais eficazes e a possibilidade de intervenção precoce em indivíduos de alto risco são prioridades na pesquisa em esclerose múltipla, que visa não apenas controlar surtos e progressão, mas, futuramente, prevenir o desenvolvimento da doença.

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EM acomete mais mulheres, de 20 a 50 anos
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Pesquisadores avaliam associação muito forte entre a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV) e o desenvolvimento da esclerose múltipla

Com informações de: PORTAL-IG

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