
Na última quarta-feira (21), o programa Entretextos, transmitido via YouTube, recebeu o professor Marcelino Barroso para uma profunda conversa sobre a história da Igreja Matriz de São Gonçalo de Amarante.
A discussão, que também abordou a preservação do patrimônio e o vínculo comunitário com a memória local, girou em torno da obra de Barroso, intitulada ‘A Igreja Matriz de Amarante: Patrimônio e Memória’.
Marcelino Barroso, figura notável como jurista, membro da Academia Piauiense de Letras e presidente da Academia de Letras, Artes e Cultura de Amarante (Aleama), desvendou o motivo pelo qual a Igreja Matriz de Amarante ostentou o título de maior templo católico do Piauí no fim do século XIX. A resposta reside em um ambicioso projeto político que, contudo, jamais se concretizou conforme planejado.
A história remonta ao século XIX, quando Amarante, uma cidade com menos de dois mil habitantes, decidiu erguer uma matriz de dimensões monumentais. O plano visava transformar Amarante na nova capital da Província do Piauí, com o conselheiro Antônio Saraiva e o articulador local Joaquim Lustosa do Amaral à frente da iniciativa.
Segundo Barroso, Lustosa do Amaral nutria a visão de que a igreja seria a “Matriz do Piauí”, a sede religiosa da futura capital. No entanto, uma questão geográfica – a estreiteza da esplanada entre a encosta e o rio – levou a capital a ser transferida para a Vila do Poti (atual Teresina) em 1852.
Apesar da mudança de planos para a capital, a construção da imponente matriz já havia ganhado escala, tornando-se desproporcional ao tamanho da cidade.
A obra da igreja foi concluída em 1874, já com Teresina estabelecida como capital, e permaneceu como um legado de um projeto que não se concretizou. A nave central da igreja impressiona com seus 17 arcos plenos e um pé-direito de 9 metros.
A história da Matriz de Amarante também é marcada por uma perda significativa. Entre 1959 e 1961, o Padre Isaac José Vilarinho determinou a demolição dos sete altares originais de madeira e seus retábulos em um processo de modernização interna.
Adicionalmente, o Livro de Tombo, documento crucial para a memória do templo, foi perdido devido a um ataque de cupins.
Em um esforço para mitigar os danos, Marcelino Barroso dedicou-se à reconstituição de parte do patrimônio perdido. Ele recriou os altares a partir de seus próprios desenhos, com o apoio do artista Ângelo Barroso e de indústrias especializadas de São Paulo.
“Minha memória não é estritamente historiográfica; ela é antes afetiva, vivencial”, explicou Barroso. O resultado desse trabalho resultou na reinserção de três novos altares na igreja, em harmonia com o estilo original: o do Divino Espírito Santo, o do Padroeiro São Gonçalo e o do Sagrado Coração de Jesus.
O mestre artesão Marcos Elvis, de Teresina, foi o responsável pela restauração da Lâmpada do Santíssimo. Uma particularidade da igreja é que, com exceção do Padre Virgílio, nenhum outro religioso foi sepultado sob o piso da nave.
Com informações de: Somos Notícia
