
Pesquisa mostra que ainda há 1,5 milhão de pessoas nessa situação
Um levantamento recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, em 2025, o Brasil registrou 1,499 milhão de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, em situação de trabalho infantil.
Esse número representa 4% da população nessa faixa etária. A pesquisa, baseada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), indica uma redução de 9,2% em relação a 2024, quando o país contabilizava 1,65 milhão de menores nessa condição. Comparado a 2016, a queda é ainda mais expressiva, chegando a 28,6%.
O IBGE define trabalho infantil como toda atividade econômica remunerada ou para autoconsumo para menores de 13 anos. Para adolescentes de 14 a 17 anos, a legislação restringe o trabalho, permitindo apenas a condição de aprendiz para os de 14 e 15 anos, e trabalho com carteira assinada, excluindo atividades insalubres ou perigosas, para os de 16 e 17 anos.
O pesquisador do IBGE, Gustavo Fontes, atribui a queda recente a uma combinação de fatores, como políticas públicas específicas, o impacto do Bolsa Família na garantia de renda mínima para famílias vulneráveis, um mercado de trabalho aquecido e o aumento da renda domiciliar per capita.
A análise detalhada revela que, apesar da redução geral, o trabalho infantil ainda afeta desproporcionalmente grupos específicos. Homens (65,4%) e a população preta e parda (67%) são os mais atingidos.
As piores formas de trabalho infantil, que colocam em risco a saúde e o desenvolvimento dos jovens, somaram 525 mil casos em 2025, o menor patamar da série histórica. A pesquisa também destacou que o trabalho doméstico não remunerado e o cuidado de pessoas afetam milhões de crianças e adolescentes, especialmente meninas e jovens mais velhos, em uma carga horária que, em muitos casos, ultrapassa 25 horas semanais.



Com informações de: AGBR
