
A TV Globo apresentou as diretrizes para o debate presidencial que ocorrerá nesta sexta-feira (23), envolvendo Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A emissora informou que as declarações serão apuradas pelo serviço Fato ou Fake, do portal g1, mas não detalhou se eventuais equívocos serão corrigidos em tempo real durante a transmissão. Essa ausência de correção imediata contraria um abaixo-assinado que reuniu mais de 1,1 milhão de assinaturas, solicitando justamente essa prática.
O confronto está agendado para começar às 21h20, após o Jornal Nacional, e será mediado por César Tralli nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A transmissão abrangerá a TV Globo, GloboNews, g1 e Globoplay, ocorrendo dois dias antes da votação do segundo turno das eleições presidenciais.
A petição, iniciada por Rafael Brito na plataforma Change.org, ultrapassou a marca de 1,12 milhão de adesões até a quinta-feira (22). A mobilização ganhou força após o debate realizado pela Band no último domingo (18), onde declarações de ambos os candidatos foram questionadas por checagens independentes.
“A imprensa não pode se limitar a oferecer microfones. Precisa assumir sua responsabilidade com a verdade”, declarou Brito ao apresentar a petição, direcionada a representantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), diretores da Globo e ao mediador César Tralli.
Os organizadores defendem que as verificações sejam apresentadas aos espectadores durante o programa, em vez de serem apenas disponibilizadas online, como ocorre com as publicações do Fato ou Fake.
Análises posteriores ao debate da Band identificaram informações falsas e distorcidas nas falas dos candidatos. A Agência Lupa, por exemplo, classificou como falsas nove declarações de Flávio Bolsonaro e duas de Lula, entre as analisadas.
É importante notar que esses números não cobrem todas as falas e variam conforme os critérios de cada equipe de checagem. Um exemplo citado é a afirmação de Flávio Bolsonaro sobre um gasto de R$ 7 bilhões em viagens por Lula e Janja, valor que, na verdade, se referia a despesas de órgãos federais e não apenas do casal presidencial.
De acordo com as regras estabelecidas pela Globo, o debate será dividido em quatro blocos. Três deles abordarão temas predefinidos, enquanto um será de tema livre, seguido pelas considerações finais de cada candidato.
A ordem das perguntas será determinada por sorteios ao vivo. No primeiro bloco, haverá seis rodadas sobre regiões do país e um tema nacional prioritário, com três minutos para cada candidato por rodada, distribuídos entre pergunta, resposta, réplica e tréplica. Nos segundo e terceiro blocos, os candidatos escolherão os assuntos entre opções exibidas no telão, com liberdade de circulação para quem estiver com a palavra.
O quarto bloco será de tema livre, concedendo oito minutos a cada candidato, sem limite de intervenções e com livre circulação pelos seus respectivos lados do estúdio. Após os blocos, os candidatos terão espaço para suas últimas manifestações. Entrevistas coletivas de dez minutos cada, com ordem definida por sorteio (Lula primeiro, depois Flávio), também estão previstas após o debate.
As verificações do Fato ou Fake serão divulgadas durante o debate e continuarão ao longo da madrugada, em colaboração com os jornais O Globo, Extra, Valor Econômico e a Rádio CBN. O Jornal da Globo também exibirá análises sobre o encontro.
Com informações de: Congresso em Foco
