Brasil tem quase 10% de professores sem qualificação completa, aponta OCDE

OCDE: 9% dos professores no Brasil não têm qualificação completa

Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta terça-feira (29), revela que entre 2024 e 2025, aproximadamente 9% dos professores da rede pública de ensino básico no Brasil não possuíam a qualificação completa.

Esse índice é muito similar à média de 9,1% observada nos países membros da organização. A OCDE define como qualificação incompleta a ausência de diploma, certificação ou formação pedagógica adequada.

O estudo “Panorama da Educação 2026” (Education at a Glance) indica que a contratação de docentes sem as qualificações padrão é uma prática recorrente, frequentemente motivada pela escassez de profissionais no mercado. A publicação deste ano aprofunda a análise sobre os motivos que levam à falta de professores e as consequências para os sistemas educacionais.

No Brasil, a carência de docentes é mais pronunciada em regiões específicas e em certas áreas do conhecimento, como matemática e ciências naturais, com maiores dificuldades de recrutamento ocorrendo em localidades remotas ou mais vulneráveis.

Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, ressaltou a importância crucial do professor para o processo de aprendizagem, destacando seu papel em identificar dificuldades individuais, adaptar o ensino e transformar conhecimento em oportunidades de vida.

“Por isso, valorizar os professores é uma escolha sobre o futuro do Brasil”, afirmou. Apesar de uma diminuição no número de estudantes, o Brasil registrou um aumento de 4% no corpo docente nos anos iniciais do ensino fundamental entre 2015 e 2024, enquanto as matrículas caíram 7%. Em contrapartida, nos países da OCDE, o número de professores no ensino primário cresceu 13% no mesmo período, com um aumento de apenas 2% no alunado.

A OCDE prevê uma redução de 3% no número de crianças de 5 a 14 anos no Brasil entre 2024 e 2033, o que, se outras políticas permanecerem inalteradas, tende a diminuir a demanda por educadores.

Henriques também apontou que a análise da questão docente não deve se limitar à quantidade de profissionais formados, mas sim considerar “quem chega à escola, com que formação, para ensinar qual disciplina, em que território e por quanto tempo consegue permanecer”.

O relatório aponta que a evasão de professores contribui significativamente para a escassez. Em 2022, 10,3% dos professores brasileiros plenamente qualificados deixaram a profissão, seja por aposentadoria ou demissão, um índice superior à média de 6,4% dos países da OCDE no ano letivo de 2024-2025.

Embora parte desses profissionais possa ter migrado para o setor privado, o dado representa um desafio para a retenção de talentos nas redes públicas. Fatores como salários, condições de trabalho, relacionamento com alunos e famílias, clima escolar, autonomia profissional e reconhecimento público são apontados pela OCDE como determinantes para a atratividade da carreira.

Em 2022, apenas 44,3% dos professores do ensino fundamental brasileiro estavam satisfeitos com suas condições de trabalho, bem abaixo da média de 68,4% da OCDE, e a satisfação com salários era de 22,3% no Brasil, contra 38,7% na média da organização.

O Ministério da Educação (MEC) informou que tem implementado políticas de valorização, incluindo o Piso Nacional do Magistério, atualmente em R$ 5.130,63, e o programa Mais Professores para o Brasil, lançado em 2025 com foco na valorização da carreira. Outra iniciativa, o Pé-de-Meia Licenciaturas, busca atrair estudantes para cursos de formação de professores. Segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini, o programa elevou em 106% as matrículas de estudantes com alto desempenho no Enem em cursos de licenciatura entre 2024 e 2026.

“Cada vez mais, jovens estão enxergando na docência um projeto de vida”, declarou Barchini. O MEC também menciona o acompanhamento anual da qualidade dos cursos de licenciatura via Enade, o fortalecimento do Pibid e a reformulação da formação inicial como medidas importantes.

“Ainda há desafios históricos a enfrentar, mas o Brasil voltou a ter uma política estruturada, contínua e abrangente para formar, atrair, reconhecer e valorizar seus professores”, afirmou o ministro.

A OCDE também sugere a entrada de profissionais de outras áreas na docência como estratégia para suprir a carência de professores, uma prática que no Brasil envolveu 11,5% dos docentes do ensino fundamental em 2024, superando a média de 8,4% dos países da OCDE. O “Panorama da Educação” é uma publicação anual da OCDE que compara sistemas educacionais, com o Brasil participando desde 1997, com dados tratados pelo Inep.

Com informações de: AGBR

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