Moradora denuncia morte de mais de 20 gatos por envenenamento em Fronteiras; prefeito nega omissão

Um dos animais torturados e mortos.

Uma moradora de Fronteiras denunciou que mais de 20 gatos morreram após suposto envenenamento durante um período de aproximadamente 15 dias. Ela cobra providências das autoridades e critica o que considera falta de resposta dos órgãos públicos. O prefeito Eudes Ribeiro negou omissão e afirmou que o município oferece apoio às ações de proteção animal.

A denunciante, que acolhe gatos abandonados, relatou ter retirado da boca de um deles um peixe que estaria envenenado. O animal, conforme a moradora, havia acabado de sair de um terreno vizinho.

“Eu tirei o peixe envenenado da boca do gato. Os animais vinham morrer dentro da minha casa, mas a polícia disse que eu não tinha provas”, afirmou.

A moradora gravou vídeos dos gatos agonizando após os supostos envenenamentos. As imagens registram o sofrimento dos animais, mas não mostram o momento em que o veneno teria sido colocado nem identificam o responsável. Também não foi apresentado laudo toxicológico que confirme a substância utilizada.

Segundo a denunciante, cerca de 15 gatos morreram nos primeiros dias. Outros foram encontrados agonizando posteriormente. Ela tentou socorrê-los com carvão ativado, mas afirma que os animais morriam rapidamente.

Com medo de novos ataques, a mulher passou a manter aproximadamente 20 gatos presos dentro de casa. Ela também relatou que pessoas jogam pedras nos animais e que deixou de colocar recipientes com água na calçada por receio de envenenamento.

A moradora afirmou que procurou a polícia durante mais de 15 dias e que uma equipe somente teria ido ao endereço apontado cerca de dois meses depois. Também disse que aguarda, há quase cinco meses, providências após procurar a Promotoria e cobrar uma reunião com representantes da Prefeitura.

Além dos envenenamentos, ela denunciou o abandono frequente de gatos em áreas públicas e até em locais destinados ao descarte de lixo. A moradora informou que pretende procurar a Defensoria Pública para pedir medidas de proteção aos animais.

A reportagem também ouviu outra moradora. Esta faz parte de uma associação de proteção animal de Fronteiras e afirmou que a entidade acolhe e cuida dos animais sem receber apoio do poder público. Segundo a entrevistada, as despesas com cirurgias, alimentação, medicamentos e outros cuidados são pagas com recursos próprios.

Procurado pelo Portal Atualize, o prefeito Eudes Ribeiro rejeitou a acusação de falta de apoio. Segundo ele, a administração municipal procura atender às demandas quando recebe informações detalhadas sobre os casos.

“Nunca faltou apoio por parte do município. Quando sou procurado, procuro ajudar. É preciso que a pessoa se identifique e apresente as informações corretas para que possamos tratar do assunto”, declarou.

O prefeito informou que uma área provisória e coberta foi construída nas proximidades do cemitério para acolher gatos abandonados. O espaço teria acesso à água e receberia apoio da Prefeitura para a compra de ração. Ribeiro também disse que foram destinados recursos para a construção de uma calçada, ainda não executada.

Sobre a castração de cães e gatos, o gestor afirmou que o município aguarda uma parceria com o Governo do Estado, por não possuir estrutura para executar sozinho um programa de maior alcance.

Eudes Ribeiro condenou qualquer ato de crueldade, mas ressaltou que a identificação dos responsáveis depende de investigação policial, registro de ocorrência, flagrante ou imagens de câmeras.

“É muito difícil identificar quem colocou o veneno sem flagrante ou filmagem. Quando tomamos conhecimento, comunicamos à autoridade policial”, disse.

O prefeito também negou que os envenenamentos sejam registrados diariamente ou de forma recorrente em Fronteiras. Segundo ele, houve uma ocorrência há alguns meses, mas não existem elementos que indiquem uma prática contínua.

Ribeiro acrescentou que os responsáveis por cães e gatos também devem garantir alimentação, abrigo e atendimento veterinário, evitando que os animais sejam abandonados ou deixados nas ruas.

Até o fechamento desta matéria, não havia informação sobre a identificação de suspeitos, apresentação de laudo toxicológico ou conclusão de investigação relacionada às mortes denunciadas.

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