
Enfrentar o calor de até 40°C previsto para Teresina tem um custo que vai além do desconforto. Uma residência que mantenha um ar-condicionado de 800 watts ligado durante oito horas por dia e aumente em 3 mil litros o consumo mensal de água pode gastar, pelo menos, R$ 232 a mais no mês. O cálculo não inclui os impostos da conta de energia.
Neste domingo (6), a máxima prevista para Teresina é de 39°C. Na segunda-feira (7), pode chegar aos 40°C. Para setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia prevê temperaturas acima da média em grande parte do Nordeste. O cenário é extremo, embora o Inmet ainda não tenha confirmado um novo recorde histórico na capital.
A principal pressão sobre o orçamento vem da energia elétrica. Considerando a tarifa residencial vigente no Piauí e a bandeira amarela de setembro, um ventilador de 100 watts ligado durante oito horas diárias acrescenta aproximadamente R$ 23 à conta mensal. Se funcionar por 12 horas, o gasto chega a cerca de R$ 35.
No caso de um ar-condicionado com potência de 800 watts, o uso durante oito horas por dia pode consumir 192 quilowatts-hora no mês. O custo estimado é de R$ 185, antes dos impostos. O valor varia conforme o modelo, a eficiência, a temperatura escolhida e a vedação do ambiente.
A água também pesa. Para uma residência que esteja na faixa de consumo entre 11 e 25 metros cúbicos, um aumento de 3 mil litros representa R$ 26,16 somente pela água. Nos imóveis com cobrança de esgoto, o acréscimo chega a R$ 47,10. Somado ao uso do ar-condicionado, o gasto adicional alcança R$ 232,48.

Para as famílias de baixa renda, a Tarifa Social concede desconto de até 100% nos primeiros 80 quilowatts-hora, sem incluir impostos e taxas. Entretanto, somente o ar-condicionado usado na simulação consumiria mais que o dobro desse limite, antes de geladeira, iluminação e outros equipamentos.
O aumento do consumo também desafia a infraestrutura urbana. A Águas de Teresina mobilizou mais de 80 profissionais em sete frentes de trabalho para preparar o sistema de abastecimento para o B-R-O-Bró.
A baixa umidade amplia ainda o risco de queimadas. Entre janeiro e julho, o Piauí registrou 222 ocorrências de falta de energia provocadas por incêndios próximos à rede elétrica, crescimento de aproximadamente 40% em relação ao mesmo período de 2025. Em Teresina, a Defesa Civil também informou aumento das denúncias após o fim da estação chuvosa.
Na saúde, as consequências incluem desidratação, insolação e agravamento de doenças renais, cardíacas e respiratórias. A baixa ingestão de líquidos deixa a urina mais concentrada e pode favorecer infecções urinárias e a formação de pedras nos rins. O calor não causa diretamente a infecção, geralmente provocada por bactérias, mas a desidratação pode aumentar o risco.
Crianças, idosos, gestantes, pessoas com deficiência e pacientes com doenças crônicas precisam de atenção especial. Fraqueza, tontura, náusea, dor de cabeça, cãibras e confusão são sinais de alerta.
Com temperaturas próximas dos 40°C, água, sombra e refrigeração deixam de ser apenas itens de conforto. Tornam-se instrumentos de proteção à vida. A principal conta do B-R-O-Bró não é somente quanto custa refrescar uma casa, mas quantas famílias conseguem pagar para permanecer seguras dentro dela.
