Primeira vacina brasileira de mRNA será testada em humanos e pode abrir caminho para tratamentos contra o câncer

Foto: Bernardo Portella

O Brasil está prestes a dar um passo importante no desenvolvimento de vacinas com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). Pela primeira vez, um imunizante desenvolvido no país com essa plataforma será testado em seres humanos.

A vacina foi desenvolvida pela Fiocruz contra a Covid-19 e recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para avançar para os estudos clínicos. A previsão é que o recrutamento de voluntários para a primeira fase dos testes comece no primeiro trimestre de 2027, após as aprovações necessárias.

Mais do que desenvolver uma nova vacina contra a Covid-19, o domínio da tecnologia representa uma possibilidade para a criação de outros tratamentos no futuro. O mRNA funciona como uma espécie de instrução para que as células produzam determinadas proteínas capazes de estimular uma resposta do sistema imunológico.

Essa mesma plataforma vem sendo estudada para aplicações contra diferentes doenças, incluindo o câncer. A ideia, nesse caso, é utilizar o mRNA para ensinar o sistema imunológico a identificar características específicas das células tumorais e atacá-las.

Pesquisas internacionais já apresentaram resultados promissores nesse campo. Em um estudo recente envolvendo pacientes com melanoma de alto risco, uma vacina personalizada de mRNA, desenvolvida pela Moderna em parceria com a Merck, reduziu o risco de retorno ou disseminação da doença quando combinada a um medicamento de imunoterapia.

Apesar dos avanços, a vacina brasileira ainda não é uma vacina contra o câncer. O objetivo inicial é testar a segurança e a resposta do organismo ao imunizante contra a Covid-19. A expectativa é que a experiência adquirida com a tecnologia possa, no futuro, ser aproveitada no desenvolvimento de vacinas e terapias para outras doenças.

O avanço também representa uma tentativa de ampliar a autonomia brasileira na produção de tecnologias de saúde e reduzir a dependência de plataformas desenvolvidas no exterior.

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