Ex-comandante da Aeronáutica relata perdas de amizades por barrar plano golpista

Em entrevista a jornal britânico, Baptista Junior diz que foi chamado de ‘traidor’ por não apoiar ações para manter Bolsonaro no poder

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, detalhou em entrevista ao jornal britânico The Guardian seu papel na contenção de uma articulação para um golpe de Estado após a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

Baptista Junior decidiu registrar sua experiência no livro “Eu Disse Não! – Uma Trincheira Antigolpista”, com lançamento previsto para 15 de setembro, visando a preservação da memória histórica e a prevenção de futuras tentativas.

Ele lamentou que, mesmo diante de evidências apresentadas em processos judiciais, uma parcela significativa da população, estimada em cerca de um terço, ainda não reconhece a existência de um plano golpista.

Em suas declarações ao The Guardian, Baptista Junior enfatizou a definição de golpe de Estado como a permanência no poder de quem perdeu uma eleição, sugerindo que Bolsonaro poderia, até o momento, não ter aceito o resultado eleitoral.

A recusa em aderir à trama golpista, que se intensificou no final de 2022, acarretou um alto custo pessoal para o ex-comandante, que declarou ter perdido “muitas amizades” e enfrentado o rótulo de “traidor” por parte de alguns colegas militares.

Baptista Junior esteve à frente do comando da FAB entre abril de 2021 e janeiro de 2023, período em que, segundo ele, tomou a decisão de não compactuar com os planos que visavam reverter o resultado democrático.

Com informações de: R-7

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