
Apenas um em cada cinco motociclistas que atuam por meio de aplicativos de transporte e entrega no Brasil conta com algum tipo de cobertura previdenciária.
Dos cerca de 405 mil trabalhadores nessa modalidade identificados em 2025, apenas 79 mil (19,4%) possuem essa garantia, que inclui benefícios como aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte.
Esse índice é significativamente inferior aos 62,4% de cobertura entre todos os empregados do setor privado e aos 31% entre todos os motociclistas do país, independentemente de estarem ou não vinculados a plataformas digitais.
Os dados, divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são parte de um módulo experimental da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que coletou informações em 2025 sobre trabalhadores “plataformizados”.
O analista da pesquisa, Gustavo Fontes, destacou a fragilidade da proteção previdenciária para essa parcela de trabalhadores, que estão expostos a riscos inerentes à ocupação. O levantamento também registrou um aumento expressivo no contingente de motociclistas de aplicativo, que praticamente dobrou entre 2022 e 2025, passando de 211 mil para 405 mil.
Em relação aos motoristas de aplicativo, a pesquisa indicou que 905 mil pessoas atuavam nessa modalidade em 2025, com uma cobertura previdenciária de 25,5%, ou seja, um em cada quatro. Este índice é inferior aos 43,8% de cobertura entre todos os motoristas do país.
Diferentemente dos motociclistas, os motoristas de app plataformizados apresentaram rendimento por hora inferior aos não vinculados a plataformas, embora a remuneração mensal média fosse ligeiramente superior.
Em contrapartida, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas de aplicativos, contestou a metodologia do IBGE, alegando limitações e inconsistências nos dados, e se colocou à disposição para colaborar no aprimoramento da pesquisa.

Com informações de: AGBR
