35 toneladas de alimentos reforçam combate à fome em Teresina

Trinta e cinco toneladas de alimentos produzidos pela agricultura familiar de 11 municípios piauienses vão abastecer 26 entidades sociais que atendem pessoas em situação de insegurança alimentar em Teresina.

A entrega foi realizada nesta quinta-feira (22), pela Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), com a presença do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias.

Com investimento de R$ 250 mil, a ação beneficia instituições que atendem pacientes com câncer, crianças autistas, trabalhadores da reciclagem e famílias assistidas por cozinhas solidárias. Os produtos foram adquiridos pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo federal, e pelo Programa de Alimentação Saudável (PAS), financiado pelo Governo do Piauí.

A distribuição ocorreu na quadra do Projeto MP3- Movimento Pela Paz na Periferia, no bairro São Pedro, zona Sul da capital. Além de reforçar o abastecimento das entidades, a iniciativa assegura a comercialização da produção de pequenos agricultores, conectando a geração de renda no campo ao atendimento de famílias vulneráveis.

Entre as instituições beneficiadas está a Rede Feminina Estadual de Combate ao Câncer do Piauí. Segundo a coordenadora Lenora Campelo, as doações fortalecem o projeto alimentar da entidade, que distribui cestas básicas semanalmente durante a Quarta Solidária.

Lenora explicou que a instituição atende pacientes oncológicos de diferentes idades assistidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O apoio inclui alimentação, medicamentos, transporte e outras necessidades, com o objetivo de evitar que dificuldades financeiras e sociais levem ao abandono do tratamento. O trabalho é realizado por voluntários e oferecido gratuitamente.

“A fome não tira férias”, afirmou Wellington Dias, ao defender a continuidade das políticas de segurança alimentar, independentemente do calendário eleitoral. O ministro destacou que a compra de alimentos da agricultura familiar permite enfrentar a fome e estimular a atividade econômica nas comunidades produtoras.

Para ele, a superação da pobreza exige a articulação entre assistência social, transferência de renda, qualificação profissional e acesso ao trabalho. Nesse processo, o apoio à produção rural e à comercialização amplia as possibilidades de geração de renda das famílias.

A superintendente de Comercialização e Articulação com Mercados da SAF, Josineide Costa, explicou que agricultores e associações participam de editais, apresentam propostas de fornecimento e, após a seleção, comercializam seus produtos. As instituições que recebem os alimentos também precisam estar cadastradas e habilitadas.

A distribuição inclui batata-doce, melancia, feijão-verde, abóbora, banana, farinha, goma, mesocarpo e azeite de babaçu, entre outros alimentos. Segundo Josineide, os itens acompanham a produção disponível em cada período, valorizando a diversidade da agricultura familiar e sustentando a comercialização também durante a estiagem.

Entre as organizações citadas pela superintendente estão cozinhas solidárias articuladas pela Cáritas, a instituição Irmã Dulce, a Transforma Mais, que atua com reciclagem e atende pessoas em situação de insegurança alimentar, e a Prisma, que atende crianças autistas.

Maria Gonçalves, representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no Piauí, ressaltou que o acesso dos produtores aos programas também depende de informação e organização. Segundo ela, o movimento orienta cadastros, esclarece as regras de participação e incentiva a produção de famílias atingidas por barragens e eventos climáticos extremos.

De acordo com balanço divulgado pela SAF, o PAA e o PAS já movimentaram mais de R$ 11 milhões em 2026, com a distribuição de mais de 1,5 milhão de quilos de alimentos no estado. Segundo a secretaria, mais de 100 mil famílias foram beneficiadas em diferentes momentos ao longo do ano.

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