SINTE-PI cobra plano de carreira e anuncia paralisação para agosto

A presidente do SINTE-PI, professora Paulina Almeida, cobrou do Governo do Estado uma resposta à proposta de reestruturação do plano de carreira dos profissionais da educação e anunciou uma paralisação estadual para 28 de agosto. Segundo a dirigente sindical, apesar das reuniões realizadas na Mesa de Negociação Permanente (MEP), o governo ainda não apresentou uma contraproposta à categoria.

De acordo com Paulina Almeida, a proposta do plano de carreira foi entregue pelo SINTE-PI em 28 de agosto DE 2025 e, desde então, professores e funcionários administrativos aguardam uma posição concreta do Executivo, principalmente em relação ao impacto financeiro das mudanças reivindicadas. A dirigente critica a demora e afirma que o Estado dispõe de condições técnicas para realizar os cálculos necessários.

A proposta elaborada pelo sindicato prevê uma carreira estruturada em dez níveis e cinco classes, com mudança de nível a cada três anos. Para os professores, o SINTE-PI propõe diferença de 5% de um nível para outro. Para os funcionários administrativos, o percentual seria de 4%. A proposta também contempla progressões entre classes e gratificações, mas, segundo Paulina, a definição da tabela salarial é a prioridade da categoria.

A presidente do sindicato relaciona a cobrança pelos avanços na carreira aos resultados obtidos pela educação pública do Piauí. Ela destaca o desempenho do estado nos indicadores educacionais e defende que os resultados alcançados pelos estudantes precisam ser acompanhados pela valorização dos profissionais que trabalham nas escolas.

Segundo Paulina, a baixa remuneração contribui para que profissionais deixem a rede pública ou procurem outras oportunidades de trabalho. Para o sindicato, a manutenção dos bons indicadores educacionais depende também de condições adequadas de carreira, salário e formação continuada.

Diante da falta de uma contraproposta, o SINTE-PI decidiu ampliar a mobilização. Além da paralisação estadual marcada para 28 de agosto, a entidade pretende dialogar com o Governo do Estado, com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). O sindicato também buscará apoio de candidatos a deputado estadual, deputado federal e senador para cobrar compromissos com a valorização dos profissionais da educação.

As estratégias incluem ainda visitas às escolas e maior mobilização nas redes sociais. A intenção é estimular a participação dos trabalhadores nas discussões sobre o plano de carreira. O SINTE-PI alerta que, caso as negociações não avancem, uma greve poderá entrar em discussão no início do próximo ano.

Outro ponto levantado por Paulina é a adoção de gratificações vinculadas exclusivamente a mérito ou cumprimento de metas. O SINTE-PI se posiciona contra esse modelo por considerar que ele pode aumentar as diferenças entre trabalhadores de uma mesma rede e beneficiar apenas parte da categoria.

Para o sindicato, a valorização deve alcançar todos os profissionais e ser acompanhada de políticas permanentes de qualificação. Paulina defende que o poder público ofereça formação inicial e continuada aos servidores, inclusive em áreas relacionadas à inteligência artificial, inovação e novas tecnologias.

A dirigente também destacou a mobilização nacional pela criação do piso salarial dos funcionários administrativos da educação. Segundo ela, a proposta que tramita no Congresso precisa passar por ajustes para garantir segurança jurídica e condições efetivas de cumprimento por estados e municípios.

Entre os pontos considerados necessários está a criação de um mecanismo próprio de reajuste do piso dos funcionários administrativos, em vez de utilizar como referência a legislação destinada ao magistério. O SINTE-PI também defende uma cláusula que estabeleça complementação financeira da União para estados e municípios que não disponham de recursos suficientes para cumprir o piso.

Representantes do SINTE-PI participarão, no dia 11 de agosto, de uma mobilização no Senado. A agenda terá como objetivo dialogar com parlamentares e representantes do Governo Federal sobre as mudanças consideradas necessárias na proposta. Para Paulina, a categoria espera há anos por um piso nacional, mas é fundamental que a legislação seja aprovada de maneira juridicamente segura para evitar dificuldades posteriores em sua aplicação.

A presidente lembrou ainda a situação de funcionários administrativos das escolas, entre eles merendeiras, vigias e porteiros. Segundo ela, trabalhadores no Piauí chegaram a receber remuneração inferior ao salário mínimo, situação que, conforme o sindicato, foi enfrentada por meio da mobilização da categoria.

Paulina também esclareceu questões relacionadas à licença-prêmio e à licença-capacitação. Segundo a dirigente, quem já possuía o direito à licença-prêmio devidamente constituído antes de julho de 2006 não perdeu o benefício e poderá usufruí-lo conforme as regras aplicáveis. Após esse período, passou a vigorar a licença-capacitação, que exige comprovação de cursos e atividades de qualificação profissional.

Durante a discussão, a presidente do SINTE-PI abordou ainda os 20 anos da Lei Maria da Penha. Ela classificou a legislação como uma conquista fundamental para as mulheres, mas ressaltou que o combate à violência precisa avançar com mais políticas públicas, fortalecimento da autonomia econômica feminina e ações educacionais voltadas à desconstrução do machismo.

Com a paralisação estadual marcada para 28 de agosto, o plano de carreira permanece como uma das principais reivindicações do SINTE-PI. A entidade pretende intensificar a mobilização nas próximas semanas e pressionar o Governo do Estado por uma contraproposta. Para o sindicato, os avanços apresentados pela educação pública do Piauí precisam ser acompanhados por melhorias concretas na carreira e na remuneração de professores e funcionários administrativos.

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