Reforma amplia vagas e fortalece ressocialização na Penitenciária Feminina de Teresina

A Penitenciária Feminina de Teresina passou por uma ampla reforma estrutural e ampliação de sua capacidade, consolidando uma política de ressocialização baseada no trabalho, na educação e na qualificação profissional. A unidade ganhou 55 novas vagas, chegando à capacidade de 160 internas, além de receber novos equipamentos e espaços destinados à capacitação e à reintegração social das detentas.

As melhorias incluíram a reforma das celas, refeitórios, setores administrativos e alojamentos, além da construção de novos muros e de um estacionamento. A unidade também recebeu investimentos nas redes elétrica e hidráulica, climatização de ambientes e aquisição de equipamentos voltados às atividades produtivas, como máquinas de costura e aparelhos de ar-condicionado.

A modernização faz parte de uma estratégia mais ampla da Secretaria de Justiça do Piauí (Sejus), que busca associar a ampliação de vagas à criação de oportunidades de estudo e trabalho dentro do sistema prisional.

Heitor Gonçalves – Secretário de Justiça

Segundo o secretário de Justiça, Heitor Gonçalves, o objetivo é tornar o cumprimento da pena mais produtivo e oferecer condições para que os internos retornem à sociedade com novas perspectivas de vida.

“Temos a missão de ampliar vagas, mas também de garantir que o tempo de permanência no sistema seja útil. O trabalho e a educação são instrumentos fundamentais para transformar vidas e preparar essas pessoas para o retorno ao convívio social”, afirmou.

Nos últimos anos, o sistema penitenciário piauiense ampliou a oferta de oficinas profissionalizantes, com atividades de corte e costura, marcenaria, panificação, serralheria e fabricação de blocos de concreto. Atualmente, o estado possui cerca de 9 mil pessoas privadas de liberdade. Desse total, entre 6 mil e 7 mil têm perfil apto para o trabalho, embora aproximadamente 3 mil participem efetivamente de atividades laborais.

Uma das iniciativas destacadas pela Sejus é a parceria com a Receita Federal. Mercadorias apreendidas que antes seriam descartadas são encaminhadas às unidades prisionais, onde passam por processos de descaracterização realizados pelos próprios internos, gerando ocupação produtiva e aproveitamento de materiais.

Carlos Augusto – Deputado Estadual

O deputado estadual Carlos Augusto destacou que os investimentos seguem diretrizes da política nacional de execução penal e contam com apoio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).

“O sistema acredita no estudo e no trabalho como caminhos para a ressocialização. Quando oferecemos qualificação e oportunidade, aumentamos as chances de que essas pessoas retornem à sociedade de forma diferente e reduzimos a reincidência criminal”, ressaltou.

Além da qualificação profissional, a educação tem papel central na rotina da unidade. A penitenciária mantém turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), oferecendo desde alfabetização até o ensino médio, além de cursos preparatórios para o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) e para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Livya Martins – Gerente da Penitenciária de Teresina “Gardenia Gomes Lima Amorim”

De acordo com a gerente da unidade, Livya Martins, os resultados já aparecem na vida de ex-internas que conseguiram ingressar no ensino superior após passarem pelo sistema prisional.

“Temos egressas que hoje cursam graduação em instituições públicas. Isso demonstra que, quando oferecemos oportunidades reais de educação e qualificação, conseguimos mudar trajetórias de vida”, afirmou.

As internas também participam de oficinas de costura, panificação, doceria, produção de salgados, maquiagem e cabeleireiro. Além do aprendizado profissional, as atividades garantem remição de pena, permitindo a redução de um dia da condenação a cada três dias trabalhados.

Entre as participantes está Adineia, que aprendeu costura dentro da penitenciária e hoje vê na atividade uma oportunidade concreta de recomeço.

“Eu não sabia nada de costura. Entrei para conhecer e hoje me sinto realizada. A cada dia aprendo mais e penso no que vou fazer quando sair daqui”, relatou.

Segundo ela, a profissão pode representar uma porta de entrada para o mercado de trabalho após o cumprimento da pena, especialmente diante das dificuldades enfrentadas por ex-detentas na busca por emprego formal.

A trajetória de Adineia ilustra o propósito das ações desenvolvidas na unidade: transformar o período de privação de liberdade em uma oportunidade de aprendizado, qualificação e reconstrução de projetos de vida. A expectativa da gestão é que o investimento em educação e trabalho contribua para reduzir a reincidência criminal e promover um retorno mais digno à sociedade.

 

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