
Com teatro, gincanas e atividades educativas, estudantes de escolas públicas de Teresina estão aprendendo que uma brincadeira tradicional pode esconder riscos graves quando praticada perto da rede elétrica. O Projeto Pipas, realizado pelo Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (ICAA), chegou pela primeira vez ao Piauí e desenvolve ações nesta segunda e terça-feira, dias 17 e 18, na capital. Nos dias 20 e 21 de agosto, a programação segue para Parnaíba.
A iniciativa ganha importância diante dos números registrados no estado. Em 2026, mais de 100 ocorrências de interrupção no fornecimento de energia provocadas por pipas já foram contabilizadas no Piauí. Teresina lidera os registros, com 32 casos. Em 2025, foram 496 ocorrências em todo o estado, sendo 164 somente na capital.

Além dos transtornos no fornecimento, o contato ou mesmo a aproximação de pipas e linhas da rede elétrica pode provocar acidentes graves. Em 2025, ocorrências envolvendo pipas afetaram 81.059 consumidores piauienses. Nos primeiros meses deste ano, 16.072 clientes já foram atingidos por interrupções relacionadas à brincadeira.
Na Escola Municipal Professor Valter Alencar, no bairro Vale Quem Tem, os estudantes participaram de uma tarde de atividades que transformaram orientações de segurança em brincadeiras. Teatro, gincanas e recursos visuais foram utilizados para mostrar, de maneira simples, o que representa perigo e quais comportamentos devem ser adotados.

Sandro Santarém, organizador do evento pelo Instituto Cultural Amazônia do Amanhã, explica que a proposta é falar diretamente com o universo infantil, sem deixar de abordar situações que podem resultar em acidentes fatais.
Segundo ele, o projeto trabalha com elementos didáticos e pedagógicos, incluindo teatro, personagens próprios, gincanas e sinalizações visuais que ajudam os estudantes a identificar situações de risco. Um dos recursos utiliza as cores vermelha e verde para diferenciar atitudes perigosas das práticas consideradas seguras.
“É um projeto de conscientização e prevenção. A gente trabalha de forma lúdica para que a criança consiga entender o perigo e leve esse conhecimento para o dia a dia”, explica Sandro.

Entre os assuntos tratados estão os riscos de empinar pipas perto de postes e fios, a tentativa de retirar objetos presos na rede elétrica e o uso de materiais cortantes. Cerol, linha chilena e linha indonésia também entram diretamente nas atividades e diálogos apresentados aos estudantes.
A orientação é para que a brincadeira seja realizada em áreas abertas e distantes da rede elétrica, como campos e outros espaços apropriados. O projeto também estimula a utilização de locais específicos para festivais e competições, afastando a prática das áreas urbanas com grande concentração de postes e fiação.
A diretora da Escola Municipal Professor Valter Alencar, Desterro Silva, destaca que a atividade vai além da prevenção de acidentes e contribui para a formação dos estudantes.
“É despertar a cidadania, a conscientização, o cuidado com o outro e com eles mesmos. A pipa é uma brincadeira muito comum, mas precisa estar associada à segurança”, afirma.
Na unidade de ensino, a ação alcançou principalmente crianças e adolescentes entre 11 e 13 anos, dos 6º e 7º anos. Para a diretora, aprender brincando aumenta a possibilidade de que as orientações sejam assimiladas e reproduzidas fora da escola.
E a mensagem parece ter chegado ao destino. Depois das atividades, Mateus Henrique, Arthur Souza e Alcides Felipe conseguiram apontar algumas das principais regras apresentadas durante o projeto.
Os estudantes destacaram que não se deve empinar pipa perto dos fios de energia nem no meio da rua e que a brincadeira deve acontecer em espaços abertos. Também aprenderam que jamais se deve subir em postes ou tentar alcançar uma pipa presa à rede elétrica.
O perigo das linhas cortantes também chamou a atenção das crianças. Cerol e outros materiais capazes de provocar ferimentos foram apresentados como práticas que devem ser evitadas. As atividades ainda abordaram cuidados básicos com a eletricidade dentro de casa.
O Projeto Pipas é realizado pelo Instituto Cultural Amazônia do Amanhã, com patrocínio do Grupo Equatorial, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura Semear, do Governo do Estado do Pará. Em 2026, a iniciativa ampliou sua atuação para dez municípios de quatro estados: Pará, Maranhão, Piauí e Goiás.
De acordo com a Equatorial Piauí, a recomendação é nunca empinar pipas próximo a postes, cabos, transformadores, subestações ou linhas de alta tensão. Crianças devem estar acompanhadas por adultos e ninguém deve tentar retirar uma pipa que tenha ficado presa na rede elétrica.
O alerta é simples, mas pode evitar uma tragédia: pipa combina com céu aberto, não com fios de energia.
PROGRAMAÇÃO NO PIAUÍ
TERESINA
18 de agosto de 2026
9h às 11h
Escola Municipal Vereador José Ommati
Bairro Piçarreira
14h às 16h
Escola Municipal Lindamir Lima
Bairro Satélite
PARNAÍBA
20 de agosto de 2026
9h às 11h
Escola Municipal Bilíngue Libras-Português e Escola Municipal Professora Albertina Furtado
Bairro Frei Higino
21 de agosto de 2026
9h às 11h
Escola Municipal Professor Antônio Thomaz da Costa Filho
Bairro João XXIII
14h às 16h
Escola Municipal Plautila Lopes do Nascimento
Bairro Santa Luzia
