Polícia Civil prende empresário investigado por suposto golpe com cartas de crédito em Teresina

Foto: Eduardo Amorim

Mais de 130 boletins de ocorrência já foram registrados contra uma empresa de consórcios investigada pela Polícia Civil do Piauí por um suposto esquema de fraude envolvendo a venda de cartas de crédito contempladas em Teresina. O proprietário do estabelecimento, Cláudio Moura da Silva, foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (29).

A operação também resultou na suspensão das atividades da empresa, que funciona na Avenida Miguel Rosa, na zona Sul da capital. A medida foi determinada pela Justiça no âmbito das investigações.

Conforme o delegado Sérgio Alencar, responsável pelo caso, os consumidores procuravam a empresa interessados em obter crédito para comprar veículos ou imóveis. Eles teriam sido informados de que receberiam cartas já contempladas dentro de um prazo estabelecido.

O problema, segundo a investigação, era descoberto apenas posteriormente. Os clientes percebiam que, em vez de adquirir uma carta contemplada, haviam firmado contratos de consórcio convencionais, que não garantiam a liberação imediata do crédito.

A polícia aponta que os consumidores também realizavam pagamentos antecipados como condição para a suposta liberação dos valores. Em alguns casos, os desembolsos chegavam a representar cerca de 20% do valor total da carta de crédito.

Um dos casos investigados envolve uma vítima que teria perdido aproximadamente R$ 150 mil. Segundo o delegado, os prejuízos identificados até o momento variam entre R$ 5 mil e R$ 150 mil.

Apesar dos mais de 130 registros de ocorrência, a Polícia Civil acredita que o número de pessoas prejudicadas pode ser ainda maior. Isso porque parte dos consumidores que teriam sido vítimas do suposto esquema ainda não procurou as autoridades para denunciar os casos.

Diversos procedimentos investigativos foram instaurados para apurar a atuação da empresa e identificar todas as pessoas envolvidas. A expectativa é de que o levantamento permita dimensionar o prejuízo causado aos consumidores, que, segundo uma estimativa inicial, pode alcançar milhões de reais.

O delegado Sérgio Alencar informou ainda que as investigações não devem se limitar ao proprietário da empresa. Funcionários que eventualmente tenham conhecimento da suposta fraude e tenham participado das práticas investigadas também poderão ser responsabilizados.

Durante os procedimentos policiais, Cláudio Moura da Silva optou por permanecer em silêncio, exercendo o direito constitucional de não prestar depoimento. O empresário foi encaminhado para audiência de custódia e permanece à disposição da Justiça.

A defesa do investigado ainda não havia se manifestado sobre o caso.

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