
O Lago Natron, no norte da Tanzânia, voltou a despertar curiosidade nas redes sociais devido às suas águas avermelhadas e às imagens de animais que parecem estar petrificados em suas margens. Durante anos, circulam fotos de aves e morcegos com aparência endurecida, alimentando lendas sobre uma suposta transformação mágica. Contudo, a ciência desvenda o mistério por trás desse fenômeno, que é, na verdade, um processo natural de preservação extremo.

Especialistas explicam que o lago abriga um dos ambientes aquáticos mais hostis do planeta, com pH entre 10,5 e 12 — nível comparável a substâncias corrosivas — e temperaturas que podem atingir 60°C. Essas condições extremas são resultado da atividade vulcânica da região, especialmente do vulcão Ol Doinyo Lengai, cujas lavas ricas em carbonatos infiltram-se no solo e chegam ao lago por meio de fontes termais, enriquecendo a água com sais minerais como carbonato de sódio e cálcio. A evaporação constante, intensificada pelo clima árido, eleva ainda mais a concentração desses minerais, tornando a água um verdadeiro laboratório de conservação natural.

Quando pequenos animais morrem nas proximidades do lago, seus corpos não se decompõem normalmente. Em vez disso, passam por um processo de desidratação rápida e deposição de minerais, que os recobre de uma camada esbranquiçada e endurecida, semelhante a uma fossilização parcial. O fenômeno está ligado ao natrão, uma mistura de sais que, curiosamente, foi utilizada no Antigo Egito para mumificação. Embora a aparência possa sugerir transformação em pedra, trata-se de uma preservação diferenciada, onde tecidos e estruturas, como penas e asas, muitas vezes permanecem intactos.

Com informações de: PORTAL-IG
