Fraude judicial esconde R$ 130 bilhões em dívidas de brasileiros

A promessa é retirar rapidamente as restrições dos cadastros de crédito. No entanto, as dívidas não são canceladas

O Brasil registra 83 milhões de consumidores endividados, situação agravada pela alta recorde de inadimplência desde 2011. Nesse contexto, anúncios de serviços que prometem “limpar o nome” ganham espaço na internet, prometendo remover restrições dos cadastros de crédito em tempo recorde. Contudo, a prática esconde um esquema fraudulento: as dívidas não são eliminadas, apenas ocultadas temporariamente nos bancos de dados de órgãos como Serasa e SPC.

Investigações revelam a participação de associações de defesa do consumidor, advogados e até magistrados em um esquema conhecido como “indústria do limpa-nome”. Segundo apurações, essas organizações ingressam com ações judiciais para obter liminares que impedem a divulgação de débitos em aberto nos registros de crédito. Embora as restrições desapareçam provisoriamente, os débitos permanecem válidos até serem quitados ou renegociados.

O esquema, inicialmente concentrado no Piauí, Paraíba e Pernambuco em 2023, expandiu-se para outros seis estados nos anos seguintes. No Piauí, as investigações destacam a atuação em comarcas do interior, com apurações conduzidas pelo Ministério Público e pelo Conselho Nacional de Justiça. A fraude tem impacto financeiro significativo: cerca de R$ 130 bilhões em créditos foram ocultados nos últimos cinco anos, segundo estimativa de André Gomes Netto, presidente da Associação dos Cartórios de Protesto do Brasil. “Pessoas com dívidas ocultadas contraem novas obrigações financeiras com base em um nome supostamente limpo”, alerta.

Com informações de: Fantástico

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