
A Secretaria da Segurança Pública do Piauí realizou, nesta quarta-feira (26), uma mobilização para coletar gratuitamente material biológico de familiares de pessoas desaparecidas. A ação ocorreu no Instituto de DNA Forense do Piauí, no bairro Saci, zona Sul de Teresina, e busca ampliar os bancos oficiais de perfis genéticos, aumentando as possibilidades de identificação de pessoas encontradas sem documentação e de restos mortais ainda não identificados.
Promovido nacionalmente pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Dia D integra as ações da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos. No Piauí, a mobilização é executada pela Secretaria da Segurança Pública, por meio do Departamento de Polícia Científica da Polícia Civil.
Segundo dados apresentados durante a ação, aproximadamente 400 boletins de ocorrência de desaparecimento foram registrados no Piauí no último semestre. Parte dos casos permanece sem solução. Em âmbito nacional, cerca de 14 mil famílias já possuem informações cadastradas no Banco Nacional de Perfis Genéticos. Ao mesmo tempo, aproximadamente 14 mil restos mortais ainda aguardam identificação.
O diretor do Instituto de Biometria Forense, Juarez Carvalho, explicou que a mobilização procura dar maior visibilidade a um serviço oferecido permanentemente. Embora a campanha tenha uma programação intensificada entre os dias 24 e 28 de agosto, os familiares podem procurar o Instituto de DNA Forense durante todo o ano. A coleta também está disponível nos dez núcleos regionais de perícia existentes no interior do estado.
Podem participar pais, mães, filhos e irmãos de pessoas desaparecidas. Sempre que possível, a coleta de mais de um familiar aumenta a quantidade de informações disponíveis e pode tornar a análise de parentesco mais precisa. Para o atendimento, é necessário apresentar o boletim de ocorrência do desaparecimento e os documentos pessoais do familiar.
O procedimento é voluntário, gratuito, rápido e indolor. Após a coleta, o material passa por diferentes etapas até a obtenção de um perfil genético de referência. Esse perfil é enviado ao banco nacional e comparado com informações genéticas extraídas de pessoas ou restos mortais que ainda não tiveram a identidade confirmada.
O perito criminal Jesus Cardoso explicou que o processamento começa com a preparação da amostra e a extração do DNA. Em seguida, o material é quantificado para que os profissionais avaliem sua quantidade e qualidade. O DNA passa, então, pela amplificação em termocicladores e pela genotipagem, etapa responsável por produzir o perfil que será analisado pelos especialistas.
Quando o sistema aponta uma possível compatibilidade, os dados passam por avaliação pericial para verificar a relação de parentesco. Confirmado o resultado, a família é comunicada pelas autoridades responsáveis. O cruzamento genético pode ser decisivo principalmente nos casos em que um corpo foi localizado, mas não pôde ser reconhecido por documentos, características físicas ou outros métodos tradicionais.
Além das coletas, a mobilização contou com profissionais do serviço social e da psicologia para acolher, orientar e cadastrar as famílias. Peritos e técnicos ficaram responsáveis pelo recebimento e pelo processamento das amostras.
Os familiares que não participaram do Dia D ainda podem procurar o Instituto de DNA Forense do Piauí, localizado na Rua Francisca de Melo Lobo, no bairro Saci, em Teresina, ou um dos núcleos regionais de perícia. A mobilização tem data para ganhar força, mas a busca por respostas permanece aberta durante todo o ano.

