Crise no Avante: Gustavo Henrique denuncia ilegalidade e diz ter sido alvo de ameaça

O candidato ao Governo do Piauí pelo Avante, Gustavo Henrique Leite Feijó, denunciou supostas irregularidades envolvendo decisões internas do partido no estado e afirmou ter sido alvo de ameaças e ataques pessoais. O candidato também acusa o senador Ciro Nogueira de interferir em sua trajetória partidária e eleitoral ao longo dos últimos anos.

Segundo Gustavo Henrique, um ato aditivo datado de 10 de agosto teria estabelecido uma coligação envolvendo o Avante no Piauí sem cumprir as regras previstas no estatuto da legenda. Ele sustenta que, para esse tipo de decisão, seria necessária a anuência e convalidação da direção nacional do partido, o que, conforme seu relato, não ocorreu.

O candidato afirma que o Avante possui chapa própria no Piauí, com candidaturas ao Governo do Estado, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, e contesta qualquer decisão que altere essa composição sem a observância das normas partidárias.

“Temos uma chapa pura. Não estamos coligados”, afirmou. Para Gustavo Henrique, o episódio representa uma ilegalidade e desrespeita tanto o estatuto do Avante quanto a legislação partidária.

A crise também envolve Antônio Zé Lira. Segundo Gustavo Henrique, houve pressão para que Zé Lira fosse incluído na chapa, mas a possibilidade teria sido rejeitada pelo conjunto de filiados e pré-candidatos. O candidato sustenta que a resistência ocorreu porque Zé Lira apoiaria nomes ligados ao Progressistas, entre eles Átila Filho, sobrinho de Ciro Nogueira, situação que, na avaliação do grupo, criaria um conflito político dentro da chapa do Avante.

Gustavo Henrique também afirma ter identificado outros problemas durante a organização do partido no Piauí. Entre eles, cita a duração estabelecida para as comissões provisórias, que, segundo sua interpretação, estaria em desacordo com as regras partidárias e a legislação.

Ao relatar o histórico da disputa, Gustavo Henrique acusou Ciro Nogueira de interferir sistematicamente em seus movimentos políticos, partidários e eleitorais. Ele citou episódios envolvendo diferentes legendas, entre elas Avante, Patriota, PSDB, PRTB, Agir e Democracia Cristã.

No caso da Democracia Cristã, o candidato afirmou que o presidente nacional da legenda teria entrado em contato com ele para comunicar um suposto pedido de Ciro Nogueira para que o comando do partido fosse entregue a outra pessoa.

A disputa ganhou contornos mais graves com as acusações envolvendo Antônio Zé Lira. Gustavo Henrique afirma ter sido alvo de calúnias, difamações e ameaças por meio de áudios que teriam circulado em grupos de mensagens e na mídia.

Entre as declarações atribuídas a Zé Lira, Gustavo Henrique destacou a frase “é a última eleição que eu participo”, interpretada por ele como uma ameaça. O candidato informou que procuraria uma delegacia para registrar o episódio e adotar as medidas legais cabíveis.

Gustavo Henrique classificou os ataques como um “expediente violento, gravoso e desrespeitoso” e afirmou que não pretende responder com xingamentos ou transformar a campanha eleitoral em um confronto pessoal.

Apesar da crise interna, das acusações e das pressões que afirma enfrentar, Gustavo Henrique descartou desistir da disputa pelo Governo do Piauí.

“Não penso em desistir da candidatura”, afirmou.

Segundo ele, a campanha continuará concentrada na apresentação de propostas para o estado. Entre as pautas citadas estão a melhoria da remuneração dos professores, inclusive dos profissionais da Universidade Estadual, e a defesa de uma administração pública mais técnica.

O candidato afirma que pretende manter a disputa no campo das ideias e evitar o que classificou como um “ringue desrespeitoso” de ataques e xingamentos.

As denúncias apresentadas são acusações feitas por Gustavo Henrique e envolvem diretamente Ciro Nogueira, Antônio Zé Lira e decisões internas do Avante no Piauí. Os citados devem ter espaço para apresentar suas versões sobre os fatos relatados pelo candidato.

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