
Um levantamento divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) aponta um cenário alarmante para os povos indígenas no Brasil em 2025. O relatório indica que o número de assassinatos subiu para 258, um crescimento em relação aos 211 casos registrados no ano anterior.
Os estados de Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul foram os mais afetados, totalizando 82, 47 e 37 mortes, respectivamente, segundo dados compilados pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade, secretarias estaduais de saúde e a Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai).
O documento, intitulado “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”, detalha um aumento generalizado nas formas de violência, incluindo ataques contra pessoas, propriedades e omissão do Poder Público. A insegurança se manifestou em conflitos agrários intensificados, invasões de terras e vulnerabilidade crescente.
O relatório também destaca um aumento preocupante em suicídios e mortalidade infantil, além de conflitos relacionados a direitos territoriais. Casos emblemáticos, como o de quatro indígenas Avá-Guarani baleados no Paraná em janeiro, a morte do Pataxó Vitor Braz na Bahia em março e do Guarani Kaiowá Vicente Fernandes em Mato Grosso do Sul em novembro, evidenciam a gravidade da situação, mesmo em terras já demarcadas.
A publicação estabelece uma ligação direta entre as violências e a morosidade no julgamento da Lei 14.701/2023, conhecida como Marco Temporal, que permaneceu sem decisão no Supremo Tribunal Federal (STF) até dezembro. A lei é criticada por permitir a exploração de terras indígenas por terceiros e dificultar demarcações, somando-se à pressão por regulamentação da mineração e grandes obras de infraestrutura em áreas sensíveis.
Em relação à violência contra o patrimônio, foram registrados 1.276 casos, muitos deles ligados à lentidão na regularização de terras. A omissão do Estado é também apontada em 215 suicídios em 2025 e 1.024 mortes de crianças de até 4 anos, muitas por causas evitáveis. A falta de acesso à água potável, saneamento básico e atendimento de saúde agrava a situação, especialmente em áreas com poluição por agrotóxicos e mercúrio, e para indígenas em situação de acampamento à beira de estradas.

Com informações de: AGBR
