Vereadores cobram ruptura no sistema de transporte e defendem nova licitação em Teresina

A crise no transporte público de Teresina voltou ao centro dos debates na Câmara Municipal após vereadores criticarem a ineficiência do sistema, os repasses milionários às empresas de ônibus e a ausência de soluções definitivas para usuários e trabalhadores. Parlamentares defenderam a revogação dos contratos atuais, a realização de uma nova licitação e mudanças estruturais na mobilidade urbana da capital.

O vereador Dudu afirmou que o sistema opera em situação de “caos” mesmo recebendo cerca de R$ 7,2 milhões mensais em recursos públicos.

“São quase R$ 7,2 milhões do dinheiro da população de Teresina sendo colocados em um sistema que não entrega eficiência nenhuma”, declarou o parlamentar ao criticar o transporte urbano, rural e o chamado sistema “eficiente”.

Dudu voltou a defender o cancelamento do contrato atual e uma nova licitação emergencial para reestruturar o transporte coletivo da cidade.

Na mesma linha, o vereador Leôndidas Júnior classificou o modelo atual como “falido” e ultrapassado.

“Esse modelo de transporte coletivo está falido há décadas. Teresina cresceu, mudou completamente e o sistema continua preso a uma realidade de 20 ou 30 anos atrás”, afirmou.

O parlamentar também criticou os subsídios pagos mensalmente às empresas e disse que aumentar repasses não resolverá o problema.

“Não adianta continuar colocando mais dinheiro em um sistema que não apresenta resultado para a população”, declarou.

Leôndidas defendeu a revogação imediata dos contratos e a realização de uma nova licitação para escolha de empresas com capacidade operacional de atender a capital.

Já o vereador Pedro Alcântara manifestou apoio aos motoristas e cobradores durante a greve da categoria e criticou a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que declarou o movimento paredista irregular.

“O trabalhador tem direito de reivindicar reajuste. O TRT deveria obrigar as empresas a pagarem os trabalhadores e não simplesmente declarar a greve ilegal”, afirmou.

Pedro Alcântara disse ainda que a Prefeitura tem buscado alternativas emergenciais para minimizar os impactos da paralisação, como a utilização de vans, e revelou a existência de um processo junto ao BNDES e ao Ministério das Cidades para aquisição de 90 novos ônibus para Teresina.

O vereador João Pereira afirmou que a crise no transporte coletivo já dura mais de duas décadas e criticou a falta de resultados concretos após sucessivas discussões sobre o tema.

“As últimas CPIs praticamente não trouxeram resultado para a população. O povo continua sofrendo diariamente com um sistema precário”, declarou.

João Pereira defendeu a realização de uma audiência pública técnica para reunir empresários, rodoviários, Prefeitura e especialistas na construção de soluções definitivas para o setor.

“Não precisamos de palanque político. Precisamos encontrar soluções reais e técnicas para resolver um problema que atinge diretamente os trabalhadores e toda a população”, afirmou.

O parlamentar também destacou que pretende estudar modelos implantados em outras cidades, incluindo experiências de transporte público gratuito, para apresentar propostas à gestão municipal.

Apesar das diferenças políticas, os vereadores demonstraram convergência sobre a necessidade de reformulação completa do sistema de transporte coletivo da capital, incluindo mudanças contratuais, revisão do modelo de operação e criação de um novo plano diretor de mobilidade urbana.

MAIS NOTÍCIAS

+LIDAS DA SEMANA