Vacina contra dengue do Butantan tem aplicação suspensa; governo amplia monitoramento de casos

Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

O Ministério da Saúde anunciou uma série de medidas após determinar a suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada depois da identificação de eventos adversos graves registrados em pessoas imunizadas, incluindo dois óbitos que ainda estão sendo investigados.

A partir de agora, estados e municípios deverão interromper a aplicação do imunizante e manter as doses armazenadas em condições adequadas até a conclusão das análises conduzidas pelas autoridades sanitárias.

Busca ativa por novos registros

Além da suspensão, o governo federal pretende intensificar a vigilância sobre possíveis ocorrências relacionadas à vacina. Secretarias de Saúde de municípios que receberam o imunizante serão orientadas a revisar notificações, identificar novos casos suspeitos e comunicar imediatamente qualquer evento adverso observado após a vacinação.

O monitoramento também será ampliado em hospitais e unidades de saúde, com atenção especial para pacientes vacinados recentemente que apresentem sintomas compatíveis com dengue grave.

Mortes seguem sob investigação

Apesar da medida cautelar, o Ministério da Saúde ressalta que ainda não existe comprovação de que as mortes registradas tenham sido provocadas pela vacina. A investigação continua para esclarecer se há ou não relação entre os casos e o imunizante.

A Anvisa já notificou o Instituto Butantan e deve reunir especialistas para analisar os dados clínicos e epidemiológicos disponíveis. O instituto também participará da apuração, fornecendo informações técnicas às autoridades.

Orientação para quem recebeu a dose

Pessoas vacinadas nas últimas três semanas devem permanecer atentas ao surgimento de sintomas como febre, dores abdominais intensas, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva e sinais de desidratação.

A recomendação é procurar atendimento médico imediatamente caso qualquer um desses sintomas seja identificado.

O que mostram os dados

Entre janeiro e maio de 2026, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados após a vacinação. Desse total, 42 casos apresentaram sinais de alerta considerados incomuns e três evoluíram para quadros graves. Dois desses pacientes morreram e os casos permanecem sob análise.

Segundo o Ministério da Saúde, os episódios representam uma parcela muito pequena do total de pessoas imunizadas, mas a suspensão foi adotada por precaução até que a investigação seja concluída.

Qdenga continua disponível

A medida não altera a aplicação da vacina Qdenga, utilizada atualmente no Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante segue disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, público definido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

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