Gestão da Água na Barragem de Bocaina: transparência e segurança em debate

A audiência teve como objetivo reunir autoridades, representantes de instituições, produtores rurais, moradores e demais interessados para discutir medidas que garantam maior transparência e segurança na gestão dos recursos hídricos da barragem.

Na última sexta-feira, 31, a Câmara Municipal de Bocaina sediou uma audiência pública crucial para debater a gestão da água na barragem local. O encontro, organizado em colaboração com a Associação de Moradores, Turismo e Agricultura Familiar da Barragem de Bocaina, buscou alinhar os interesses de diversas partes envolvidas na liberação controlada de água pela comporta.

A iniciativa, proposta por Marildo Feitosa, proprietário da Barraca São Francisco e presidente da Associação de Agricultur Familiar e Turismo, foi coordenada pelo vereador Vando Sampaio.

O objetivo principal foi promover um diálogo aberto entre autoridades, representantes institucionais, produtores rurais, moradores e outros segmentos interessados, visando estabelecer diretrizes mais transparentes e seguras para o manejo dos recursos hídricos da barragem.

A discussão considerou os impactos da vazão para o turismo, comunidades ribeirinhas, agricultores e municípios da região, além de projetar os efeitos da estiagem prevista até dezembro, intensificada pelo fenômeno El Niño.

Durante a audiência, diversos atores sociais expressaram suas preocupações. Marildo Feitosa alertou para a liberação desorganizada da água, sem planejamento ou fiscalização, e apelou pela presença da Agência Nacional de Águas (ANA) para compreender as necessidades locais.

O secretário de Turismo de Bocaina, Domingo Sávis, lamentou a situação que se arrasta desde os anos 90 e defendeu a regulação ordenada da vazão. Verônica Silva, presidente do Comitê de Bacias Hidrográficas dos Rios Canindé e Piauí, ressaltou a importância de garantir a quantidade e qualidade da água para todos os usuários.

Investidores como Rob, proprietário do Sacada do Lago e TS Flutuante, temem a redução do fluxo turístico e os danos a flutuantes. Raoni Santos, pescador de São João da Canabrava, relatou o desaparecimento de espécies de peixes e a necessidade de buscar locais mais distantes para a pesca. Elinho Lima, entusiasta náutico e membro da diretoria da associação da barragem, destacou o prejuízo ao turismo e à navegação com a diminuição do nível da água.

O vereador Vando Sampaio anunciou que os próximos passos incluem a formação de uma comissão com representantes da ANA e do DNOCS para buscar soluções que conciliem os interesses da agricultura familiar e do desenvolvimento turístico da região.

A audiência contou com a presença de representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, vereadores locais, técnicos do DNOCS, presidentes de câmaras municipais, empresários, líderes comunitários e policiais militares.

Com informações de: Cidades na Net

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