
A crise no transporte coletivo de Teresina continua sem solução após empresários recusarem a proposta de reajuste salarial de 7% apresentada durante audiência de conciliação mediada pela Justiça do Trabalho. O impasse mantém a tensão entre empresas e trabalhadores e prolonga os transtornos enfrentados diariamente por milhares de usuários da capital.
Os trabalhadores, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Piauí (Sintetro), reivindicam reajuste salarial de 12%, além de aumento no ticket alimentação e melhorias no plano de saúde da categoria. Sem acordo, o sistema segue operando em meio a reclamações sobre atrasos, frota sucateada, calor excessivo e insegurança nos ônibus.
Segundo o presidente do Sintetro, Antônio Cardoso, motoristas e cobradores também enfrentam condições cada vez mais precárias de trabalho. Ele afirma que profissionais da categoria vêm adoecendo devido à sobrecarga, às altas temperaturas dentro dos veículos e às falhas estruturais da frota que circula em Teresina.
Em meio ao agravamento da crise, a Câmara Municipal aprovou a realização de uma audiência pública na próxima segunda-feira para discutir a situação do transporte coletivo. O encontro deve reunir representantes da Prefeitura de Teresina, do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT), trabalhadores e parlamentares em busca de alternativas para o sistema.
O prefeito Silvio Mendes admitiu que a frota da capital está envelhecida e não descartou antecipar uma nova licitação do transporte coletivo antes de 2029. A declaração ocorre em meio à pressão crescente da população e às críticas sobre a qualidade do serviço oferecido atualmente.
Usuários do sistema continuam relatando longos períodos de espera nas paradas, superlotação e falhas constantes nas linhas que atendem bairros da capital. Em diversas regiões, passageiros afirmam enfrentar dificuldades para chegar ao trabalho, escolas e unidades de saúde devido à irregularidade da frota.
A crise do transporte coletivo em Teresina se arrasta há anos e se intensificou após a pandemia, período em que houve redução de linhas e diminuição da quantidade de ônibus em circulação. Desde então, trabalhadores e passageiros apontam falta de investimentos e ausência de medidas efetivas para recuperação do sistema.
Sem avanço nas negociações, a expectativa agora se concentra na audiência pública e em possíveis novos entendimentos entre empresários, trabalhadores e poder público para evitar um agravamento ainda maior da crise no transporte coletivo da capital.
