
Apesar da eleição de 135 parlamentares negros para a Câmara dos Deputados, a cientista política Evelyn Apolinária, professora do Ceub, ressalta que o dado mais preocupante não é a ligeira queda no número total, mas sim a persistente sub-representação.
Segundo a pesquisadora, pessoas negras compõem cerca de metade dos candidatos e da população, mas ocupam pouco mais de 25% das cadeiras legislativas. Dos eleitos, 77 foram reeleitos em 2022.
Apolinária aponta que fatores como acesso desigual a recursos de campanha, financiamento e estruturas partidárias continuam a ser barreiras significativas.
“As regras de incentivo, como a distribuição proporcional dos fundos, não bastaram para reduzir essa distância”, afirmou. A federação União Brasil e Progressistas foi a que mais elegeu parlamentares negros, com 32 cadeiras.
A doutoranda da UnB também esclarece que a mera presença de parlamentares negros não garante uma agenda legislativa unificada em combate ao racismo, pois a orientação ideológica de cada um varia.
A atuação antirracista, historicamente, tem se concentrado em partidos de esquerda e centro-esquerda. Com um Congresso mais à direita, Evelyn Apolinária prevê um risco de menor prioridade para projetos de combate ao racismo e ampliação de políticas afirmativas, embora não preveja uma ausência garantida dessas pautas.
Com informações de: AGBR
