
Um fogo de grandes proporções devastou a vegetação da Embrapa, localizada na zona norte de Teresina, e se espalhou até o viveiro de mudas da prefeitura, na Avenida Duque de Caxias, alcançando ainda os arredores da Fundação Deputada Francisca Trindade, na Avenida Freitas Neto, no bairro Mocambinho.
Moradores da região, sobretudo os que têm casas adjacentes à área de vegetação, ficaram assustados. A fumaça densa e a proximidade das chamas levaram famílias a abandonarem temporariamente suas residências por receio de que o fogo chegasse aos imóveis. A agente comunitária de saúde Jucileia de Feitosa relatou: “Muito medo. É difícil, porque a gente tem criança, idosos. Muitos aqui nessa área. A fumaça está dificultando muito a vida da gente, tanto pelo medo do fogo nas casas como pela saúde”.
De acordo com relatos, o incêndio teria iniciado na noite de segunda-feira (5) e as chamas foram contidas. Contudo, na terça-feira (6) o fogo voltou a crescer, espalhando-se novamente pela vegetação. O tenente Pedro Bento, do Corpo de Bombeiros, informou que quatro viaturas foram mobilizadas, com apoio de todo o efetivo disponível e de caminhões‑pipa do Exército. A baixa umidade do ar e a vegetação seca contribuíram para a rápida propagação das chamas.
Pedro Bento ressaltou que 99,9% dos incêndios florestais são de origem humana, e que muitas vezes a causa está em lixo deixado à noite. Ele destacou que o órgão trabalha em todo o perímetro, mapeando focos e ocorrências para direcionar as equipes de combate. A expectativa é que a queda de temperatura no fim da tarde ajude a conter as chamas, com conclusão prevista para o início da noite.
A aposentada Francisca Mendes, que mora na Avenida Duque de Caxias, relatou dificuldades para respirar devido à fumaça e que precisa usar máscara para permanecer no local. Ela disse: “Fica assim, com um pouco de falta de ar. Desde ontem a gente está aqui com essa fumaça. Chegou a um ponto de estar puxando o fôlego. Precisa de máscara, porque senão não aguento. Estou operada da vista e ainda não tem nem um mês. Está difícil para a gente. Já é o segundo dia dessa queimada e até agora não deram jeito”.
O coronel Feitosa, secretário de Defesa Civil, explicou que o fogo se originou na Embrapa e, com o vento quente, as chamas foram levadas para o viveiro de mudas, onde as folhas secas facilitaram a propagação. Ele afirmou que as equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros trabalham para evitar que o incêndio avance para as áreas residenciais.
Na Embrapa Teresina, o fogo atingiu bancos ativos de germoplasma de fruteiras nativas, como bacuri, cajá, chichá e mangaba, além de áreas de integração com caju e banco de germoplasma de babaçu. A prioridade foi impedir que as chamas atingissem os prédios da unidade e outras áreas experimentais, incluindo uma plantação de arroz vinculada a um programa federal de replicação de material genético para comunidades tradicionais.
O chefe-geral da unidade, Anísio Lima, informou que ainda não há levantamento preciso da área afetada nem das perdas. A Embrapa possui cerca de 480 hectares, mas precisa de apoio da Embrapa Territorial para mapear os danos e avaliar os impactos sobre as pesquisas.
Anísio Lima apontou que o descarte irregular de lixo nas proximidades pode ter contribuído para a origem do incêndio. A Embrapa pretende buscar parceria com o Ministério Público para desenvolver ações de educação e conscientização na região, reduzindo o risco de novas queimadas. Ele concluiu: “É um momento difícil porque estamos atravessando algumas dificuldades estruturais, mas acreditamos em poder superar com a força e a resiliência dos nossos empregados e da nossa sociedade”.

Com informações de: Cidade Verde
