
Dados recentes do Atlas Mundial da Obesidade 2026 revelam que a obesidade já acomete cerca de 7 milhões de crianças no Brasil. O país se posiciona em sétimo lugar no cenário mundial, figurando atrás apenas de China, Índia, Estados Unidos, Indonésia, Paquistão e Egito.
O mesmo relatório, divulgado anualmente pela Federação Mundial da Obesidade (WOF), indica que 17 milhões de crianças brasileiras enfrentam o problema do sobrepeso, colocando o Brasil na mesma sétima colocação global neste quesito, atrás das mesmas seis nações mencionadas.
O cirurgião do aparelho digestivo, Rodrigo Barbosa, ressalta que o excesso de peso em crianças está intrinsecamente ligado a diversas complicações de saúde. Entre elas, destacam-se o desenvolvimento de hipertensão arterial, desregulação dos níveis de glicose, elevação dos triglicerídeos e o acúmulo de gordura no fígado.
Contudo, o médico pondera que nem toda criança com peso acima do ideal apresenta imediatamente alterações metabólicas ou riscos iminentes à saúde. Segundo Barbosa, alguns jovens podem exceder o peso recomendado, mas ainda assim manter boa massa muscular e concentrar a gordura corporal em áreas como quadris, pernas e braços.
A preocupação clínica maior reside na obesidade associada ao acúmulo de gordura visceral na região abdominal, um fator que eleva significativamente o risco de doenças metabólicas e cardiovasculares.
“A avaliação médica transcende a simples leitura da balança. É através da análise da composição corporal e da medição da circunferência abdominal que identificamos a obesidade, quantificamos sua gravidade e definimos o tratamento mais adequado”, explica Barbosa.
Ele acrescenta que “quanto mais gordura visceral acumulada, maior o risco de a obesidade desencadear problemas como diabetes, doenças cardiovasculares, certos tipos de câncer e até depressão”. Para crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) utiliza critérios específicos que levam em conta a idade e o sexo, comparando o Índice de Massa Corporal (IMC) com curvas de crescimento de referência, em vez de pontos de corte fixos como nos adultos.
Dessa forma, o sobrepeso é caracterizado por um IMC acima de um desvio-padrão da mediana, enquanto a obesidade é definida por um IMC superior a dois desvios-padrão, considerando as transformações naturais do desenvolvimento infantil e adolescente.
Com informações de: SBT News
