Golpes virtuais avançam 26,4% no Piauí e reforçam mudança no perfil da criminalidade

O avanço dos golpes virtuais continua transformando o cenário da segurança pública no Piauí. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que os registros de estelionato por meio eletrônico cresceram 26,4% no estado em apenas um ano, enquanto os casos de estelionato em geral aumentaram 15,9%, consolidando uma tendência observada em todo o país. 

Em 2025, o Piauí registrou 23.073 ocorrências de estelionato, contra 19.861 no ano anterior. Entre os crimes praticados em ambiente digital — como fraudes bancárias, golpes por aplicativos de mensagens, redes sociais e falsas centrais de atendimento – o número passou de 888 para 1.125 registros, representando um crescimento de 26,4%. A taxa desse tipo de crime subiu de 26,3 para 33,2 casos por 100 mil habitantes. 

O crescimento acompanha uma mudança no perfil da criminalidade brasileira. Segundo o Anuário, enquanto diversos indicadores de violência letal e crimes patrimoniais tradicionais apresentaram redução, os estelionatos se consolidaram como o principal crime patrimonial do país. Em 2025, o Brasil contabilizou 2.261.055 registros de estelionato, aumento de 2,7% em relação ao ano anterior, enquanto as fraudes eletrônicas cresceram 20,6%, alcançando 346.753 ocorrências. 

O levantamento destaca que esse fenômeno reflete profundas transformações na dinâmica da criminalidade. A expansão dos serviços digitais, das transações financeiras pela internet e dos meios eletrônicos de pagamento ampliou as oportunidades para organizações criminosas especializadas em fraudes. Ao mesmo tempo, roubos, furtos e outros delitos praticados nas ruas apresentam tendência de queda em diversas regiões do país. 

Para os pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os golpes deixaram de ser praticados de forma isolada. O Anuário aponta que as fraudes passaram a ser executadas por grupos estruturados, com divisão de tarefas, roteiros previamente definidos, metas de arrecadação e infraestrutura tecnológica voltada exclusivamente para a aplicação de golpes em larga escala. 

Outro dado citado pelo estudo reforça a dimensão do problema. Pesquisa realizada pelo Fórum revelou que 15,8% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmaram ter perdido dinheiro em golpes aplicados pela internet ou pelo celular no último ano, o equivalente a cerca de 26,3 milhões de pessoas. O Anuário ressalta que esse número indica uma subnotificação significativa, já que muitas vítimas não registram boletim de ocorrência. 

No Piauí, o crescimento das fraudes eletrônicas evidencia que a criminalidade acompanha a transformação digital da sociedade. Crimes como golpes do PIX, falsas centrais bancárias, clonagem de contas em aplicativos de mensagens, links fraudulentos e perfis falsos tornaram-se cada vez mais frequentes, exigindo maior atenção da população e estratégias específicas das forças de segurança para investigação e prevenção.

Os dados do Anuário reforçam que o combate aos golpes virtuais dependerá não apenas da atuação das polícias, mas também de investimentos em inteligência, tecnologia, educação digital e conscientização da população, uma vez que o ambiente virtual se consolida como uma das principais frentes da criminalidade contemporânea.

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