88 anos da Morte de Lampião e Maria Bonita: o fim de uma era no sertão

Área do Monumento Natural Grota do Angico, em Poço Redondo, no sertão de Sergipe.

Nesta terça-feira, 28 de julho, marca-se o 88º aniversário de um evento sangrento que ecoou pela história do sertão nordestino. Na madrugada de 28 de julho de 1938, Virgulino Ferreira da Silva, o icônico Lampião, sua companheira Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita, e mais nove integrantes de seu bando foram emboscados e mortos pelas forças policiais.

A emboscada fatal ocorreu na Grota do Angico, um local que hoje pertence a Poço Redondo, em Sergipe, próximo à divisa com Alagoas e às margens do Rio São Francisco.

A operação foi liderada pelo tenente João Bezerra da Silva, com a participação do aspirante Ferreira Mello e do sargento Aniceto da Silva. Além dos líderes Lampião e Maria Bonita, o confronto resultou na morte de Alecrim, Colchete, Elétrico, Enedina, Luiz Pedro, Macela, Mergulhão, Moeda e Quinta-Feira.

Do lado da polícia, o soldado Adrião Pedro de Souza também pereceu, enquanto João Bezerra e outro militar sofreram ferimentos. Os cangaceiros foram surpreendidos ao amanhecer, e embora alguns tenham conseguido escapar, Lampião e Maria Bonita estavam entre os primeiros a serem atingidos.

Relatos de participantes, como o do soldado Antônio Honorato da Silva, que teria efetuado os disparos contra Lampião, e as memórias de João Bezerra em seu livro “Como dei cabo de Lampião”, publicado em 1940, oferecem diferentes perspectivas sobre os momentos finais do embate, sendo analisados em conjunto com outras fontes históricas.

Após o confronto, os corpos dos 11 cangaceiros foram decapitados. As cabeças e objetos apreendidos foram levados para Piranhas (AL) e expostos publicamente, passando por outras cidades alagoanas antes de chegarem a Maceió e Salvador. Segundo registros da Biblioteca Nacional, os restos mortais de Lampião e Maria Bonita permaneceram no Museu Nina Rodrigues (atual Museu Antropológico Estácio de Lima) até serem sepultados em 1969, no Cemitério Quinta dos Lázaros, em Salvador.

A prática da decapitação e exposição dos corpos evidencia a brutalidade da repressão ao cangaço, um movimento que, por sua vez, também foi marcado por atos de violência como ataques, saques e sequestros em diversos estados do Nordeste.

A morte de Lampião, embora um golpe severo, não significou o fim imediato do cangaço. O episódio de Angico desarticulou a principal liderança e enfraqueceu consideravelmente os grupos remanescentes. Um dos homens de confiança de Lampião, Corisco, continuou em atividade até ser morto em maio de 1940.

Por isso, a emboscada de 1938 é vista como um marco decisivo que iniciou a fase final do cangaço, levando à desarticulação das estruturas de comando e ao gradual desaparecimento do fenômeno, conforme aponta um estudo da Revista de Sociologia e Política da UFPR.

Atualmente, Lampião e Maria Bonita continuam a gerar debates, sendo símbolos de resistência para alguns e figuras ligadas à violência para outros. A Grota do Angico é hoje uma unidade de conservação e palco de cerimônias em memória, como a Missa do Cangaço, mantendo vivo um capítulo crucial para a compreensão da história, das desigualdades e da memória cultural do Nordeste.

Além de Lampião e Maria Bonita, morreram Alecrim, Colchete, Elétrico, Enedina, Luiz Pedro, Macela, Mergulhão, Moeda e Quinta-Feira. Do lado policial, o soldado Adrião Pedro de Souza também morreu

Com informações de: Eulalia Giles/Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0. 

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