Seca no Piauí dispara custo da água; famílias pagam até R$ 700

Na região de Pio IX (a 343 km de Teresina) as famílias estão sem carros-pipas do Exército ou governo estadual

A escassez hídrica no semiárido piauiense elevou os custos de abastecimento de água a níveis alarmantes. Moradores do interior do estado relatam despesas que variam de R$ 50 a R$ 700 para adquirir água potável e para uso doméstico através de caminhões-pipa e fornecedores particulares.

Diante do quadro crítico, organizações dedicadas à convivência com o semiárido iniciaram um levantamento detalhado para contabilizar o número de cisternas vazias, visando planejar ações de socorro e logística.

A Defesa Civil do Piauí orienta que os municípios afetados precisam formalizar o estado de emergência para ter acesso a recursos governamentais. A instituição atua principalmente na articulação com prefeituras e no suporte técnico.

Atualmente, 117 dos 224 municípios piauienses já decretaram emergência por seca, com 21 tendo o reconhecimento oficial do governo federal.

Em Pio IX, a 343 km de Teresina, a falta de carros-pipa do Exército e do governo estadual tem levado os pipeiros a priorizar entregas no Ceará, devido à disparidade nos valores pagos. “O carro-pipa virou um comércio”, afirmou Naldo Andrade, vereador e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais local, que estima custos de até R$ 700 para a água em comunidades mais isoladas, onde a população recorre a vizinhos e parentes.

Em Várzea Branca, a 561 km da capital, a crise afeta mais a zona urbana, onde a água chega a custar R$ 50 por mil litros ou entre R$ 200 e R$ 400 por um caminhão com cerca de 10 mil litros, segundo a representante do sindicato local, Terezinha Paz de Macedo. A Águas do Piauí informou que a rede de abastecimento de Várzea Branca passa por manutenção com previsão de normalização gradual.

Paralelamente, entidades do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, como Caritas e Fetag, estão mapeando as cisternas secas no estado, que totalizam cerca de 90 mil unidades construídas. Daniel Silva, da Fetag, destacou que o período de agosto a outubro é o mais crítico para o semiárido, com baixa umidade e altas temperaturas.

Werton Costa, da Defesa Civil, alertou que a seca severa pode se estender até 2027, influenciada pelo fenômeno El Niño, que compromete a previsão de chuvas e afeta a economia.

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