
A vasta floresta amazônica, responsável por abastecer rios e sustentar a agricultura em toda a América do Sul, enfrenta um perigo iminente.
Sua capacidade de funcionar como uma gigantesca “máquina de chuva” está sendo comprometida pela devastação, alertam cientistas. Este complexo sistema natural, onde árvores absorvem umidade e a devolvem à atmosfera, forma “rios voadores” que levam chuva a milhares de quilômetros.
Julia Valentim Tavares, pesquisadora, descreve a Amazônia como a principal infraestrutura hídrica do continente, capaz de impulsionar a circulação de água em escala continental.
Uma única árvore adulta pode liberar centenas de litros de água diariamente, e a colaboração de bilhões dessas árvores forma um ciclo vital. Marielos Peñaclaros, copresidente do Painel Científico pela Amazônia, ressalta que a floresta é fundamental para os ciclos de água, nutrientes e carbono, impactando a vida não apenas regionalmente, mas globalmente.
As cientistas, que participaram recentemente do TEDxAmazonia no Equador, expressaram profunda preocupação com os efeitos da mineração, narcotráfico, desmatamento e queimadas.
Essas atividades destroem a conectividade da floresta, essenciais para sua conservação. Peñaclaros aponta que a diminuição das chuvas em regiões como Brasil e Bolívia, o aumento da temperatura e secas mais longas e severas já são consequências mensuráveis do desmatamento.
Tavares estuda como as árvores reagem à escassez de água, explicando que a falta de umidade no solo tensiona suas estruturas internas, podendo levar à morte por desidratação.
Adicionalmente, o aquecimento global intensifica esses problemas. A Amazônia sofreu a pior seca de sua história em 2024, exacerbada pelo fenômeno El Niño. Essa crise hídrica afetou 88% da bacia amazônica, causando desabastecimento de água em cidades como Bogotá e Quito, e levando a cortes de energia elétrica.
A seca também aumentou a vulnerabilidade da floresta a incêndios recordes, cujas fumaças alcançaram vastas regiões do Brasil, evidenciando que o que ocorre na Amazônia não fica restrito a ela.
Com a previsão de um novo super El Niño, as pesquisadoras temem que a Amazônia se torne um emissor de carbono, agravando o aquecimento global. A solução a longo prazo, segundo Peñaclaros, reside na drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, com a transição para energias limpas, e no investimento em restauração e reconexão ecológica das áreas degradadas.
A floresta caminha para um ponto de não retorno, e a perda de sua conectividade seria um desastre global.



Com informações de: AGBR
