
A broca-de-tiro-polífago é um tipo de besouro que se reproduz dentro das árvores utilizando fungos
Um pequeno besouro de origem sul-africana, conhecido como broca-de-tiro-polífaga, tem se espalhado por florestas em todo o mundo, representando uma grave ameaça a centenas de espécies de plantas.
A capacidade desse inseto de atacar pelo menos 600 tipos de flora, e não apenas carvalhos, o torna particularmente perigoso. Uma única fêmea é suficiente para iniciar uma infestação, pois até mesmo ovos não fertilizados podem gerar machos, com os quais ela se acasala.
As fêmeas perfuram a madeira com precisão, depositando ovos e injetando um fungo que nutre as larvas. Essa ação compromete os canais de transporte de água das árvores, levando à sua morte.
Originário da China e do Vietnã, o besouro chegou à África do Sul por volta de 2012, escondido em materiais de transporte como pallets e caixotes. Estudos recentes, como um publicado no Journal of Pest Science, utilizam sequenciamento de DNA para mapear e prever a disseminação do inseto, com o objetivo de uma cooperação internacional no combate à praga.
O besouro já foi identificado em pelo menos seis países além da África do Sul. A entomologista Angela Mech, da Universidade do Maine, destaca a dificuldade em conter insetos invasores, ressaltando que a broca-de-tiro-polífaga demonstra maior tolerância a diferentes temperaturas e climas secos, além de um comportamento colonizador mais agressivo.
As previsões indicam que ele poderá se espalhar pelo Mediterrâneo, sudeste dos Estados Unidos, Madagascar e grande parte da costa leste da Austrália, com potencial para alterar a estrutura de ecossistemas.
Embora haja incertezas sobre seus alvos preferenciais, que podem incluir árvores frutíferas, ornamentais ou as mais vulneráveis em ambientes urbanos, os ataques já atingem florestas nativas na África do Sul, onde a espécie está estabelecida desde 2012. O ecólogo François Roets, da Universidade de Stellenbosch, alerta para as consequências substanciais dessas invasões a longo prazo.
Na África do Sul, a praga devastou árvores urbanas e agora afeta florestas nativas. Nos Estados Unidos, o besouro avançou pela Califórnia e tem potencial para atingir o Vale Central.
Na Austrália, sua detecção em Perth em 2021 levou a um investimento governamental de R$200 milhões, sem controle total. No Brasil, a primeira detecção ocorreu em 2020, afetando árvores decorativas importadas. Pesquisadores, como Paul Rugman-Jones, da Universidade da Califórnia em Riverside, exploram o uso de vespas parasitoides como método de controle biológico.

As manchas pretas são deixadas pelo besouro e podem ser a causa da morte das árvores
Com informações de: PORTAL-IG
