
Filho do guerrilheiro destaca importância da reparação da memória
Há exatos 30 anos, em 11 de setembro de 1996, o Estado brasileiro reconheceu oficialmente sua responsabilidade pela morte de Carlos Marighella, ex-deputado federal e guerrilheiro.
A declaração, oficializada em um atestado de óbito emitido nos termos da Lei 9.140/95, representou um marco na reparação da memória de Marighella e de outras vítimas do regime militar.
Para seu filho, Carlos Augusto Marighella, conhecido como Carlinhos, o documento foi um passo crucial para desconstruir a narrativa oficial que retratava seu pai como um criminoso e não como um militante político.
Carlos Augusto descobriu o assassinato do pai, ocorrido em 4 de novembro de 1969 em São Paulo, através de uma foto enviada por telex. A emboscada, orquestrada por agentes da ditadura, resultou em seu fuzilamento, e ele foi inicialmente sepultado como indigente.
A família enfrentou perseguições e dificuldades para obter reconhecimento, e somente em 1979, após a Lei de Anistia, seus restos mortais puderam ser transladados para Salvador.
O reconhecimento estatal em 1996, segundo Carlinhos, foi fundamental para que famílias de desaparecidos políticos pudessem ter acesso a bens e para que a dignidade de muitos que lutaram ao lado de seu pai fosse restabelecida.
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada pela lei de 1995, teve um papel central nesse processo. Eugênia Gonzaga, atual presidente da comissão, e Miguel Reale Júnior, seu primeiro presidente, destacam a importância histórica da admissão de culpa pelo Estado.
Em 2023, a família recebeu um novo documento retificado, que incluiu informações sobre o casamento clandestino de Marighella com a ativista Clara Charf, antes omitidas.
A comissão, segundo Gonzaga, buscou padronizar a descrição de mortes violentas decorrentes da perseguição política.
Carlinhos enfatiza que a reparação vai além das questões legais, ressaltando a necessidade de conscientizar a juventude sobre a importância da democracia e de preservar a memória de seu pai, que mesmo diante das adversidades, manteve um espírito de luta e felicidade.

Filho do guerrilheiro destaca importância da reparação da memória
Com informações de: AGBR
