
A escalada de violência no Oriente Médio entrou no sexto dia nesta quinta-feira (5), marcada por novos ataques envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. A intensificação do confronto também levou alguns países a iniciarem operações para retirar cidadãos da região.
Nas primeiras horas do dia, forças iranianas lançaram mísseis contra Israel. De acordo com as Forças de Defesa israelenses, os disparos tiveram como alvo cidades como Tel Aviv e Jerusalém. Diante da ameaça, moradores foram orientados a buscar abrigo em estruturas de proteção até que a situação fosse considerada segura. Ataques atribuídos ao Irã também teriam atingido áreas no Iraque ocupadas por grupos curdos contrários ao governo iraniano.
Em resposta, Israel realizou bombardeios contra alvos na capital iraniana, Teerã. A ofensiva também se estendeu ao Líbano, onde militares israelenses atacaram regiões nos arredores de Beirute em uma operação direcionada ao grupo Hezbollah, aliado de Teerã. Além das ações aéreas, forças israelenses também atuam em operações terrestres, principalmente na região do Monte Dov.
Os Estados Unidos também intensificaram sua participação no confronto. Na quarta-feira (4), a Marinha norte-americana afundou um navio de guerra iraniano próximo à costa sul do Sri Lanka após o disparo de um torpedo por um submarino. Segundo informações iniciais, ao menos 87 tripulantes morreram. Nesta quinta-feira, forças americanas voltaram a realizar ataques, desta vez contra estoques de armas, drones e estruturas ligadas ao governo iraniano.
A escalada do conflito tem provocado um aumento significativo no número de deslocamentos na região. De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, cerca de 100 mil pessoas deixaram o Irã após o primeiro dia de bombardeios. No Líbano, aproximadamente 58 mil moradores foram levados para abrigos coletivos devido às ofensivas militares.
No Catar, autoridades iniciaram a retirada temporária de moradores que vivem nas proximidades da Embaixada dos Estados Unidos em Doha. A medida foi adotada após drones atingirem consulados norte-americanos em países como Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Diante do agravamento da situação, governos estrangeiros começaram a organizar operações de retirada de seus cidadãos. O Reino Unido mobilizou o primeiro voo para retirar britânicos que estavam no Oriente Médio, enquanto os Estados Unidos anunciaram voos adicionais nos próximos dias para transportar norte-americanos que estejam em países como Emirados Árabes Unidos, Catar, Arábia Saudita e Israel.
Entenda o conflito
A atual escalada teve início após um ataque coordenado realizado por Estados Unidos e Israel contra o Irã no último sábado (28). O bombardeio deixou mais de 500 mortos e ocorreu em meio a negociações entre Teerã e Washington sobre um novo acordo nuclear.
A limitação do programa nuclear iraniano é um tema que há décadas gera tensão entre os dois países. Em 2015, foi firmado um acordo internacional que restringia as atividades nucleares do Irã e permitia inspeções internacionais nas instalações do país, em troca da redução de sanções econômicas.
O entendimento, no entanto, foi abandonado em 2018 durante o governo de Donald Trump. Após a saída dos Estados Unidos do acordo, o Irã passou a ampliar o nível de enriquecimento de urânio, material que pode ser utilizado tanto para geração de energia quanto para a produção de armas nucleares.
Nos últimos meses, autoridades iranianas e norte-americanas voltaram a discutir a possibilidade de um novo entendimento sobre o tema. Representantes dos dois países chegaram a se reunir na Suíça para tratar do assunto e consideraram as conversas iniciais positivas.
Apesar disso, novas acusações sobre o avanço do programa nuclear iraniano aumentaram a tensão. Washington e Tel Aviv acusam Teerã de tentar desenvolver armamento nuclear, algo que o governo iraniano nega, afirmando que seu programa tem finalidade exclusivamente pacífica.
A troca de ataques nas últimas semanas ampliou o conflito e envolveu também aliados regionais, como o Hezbollah no Líbano. O grupo lançou mísseis contra Israel, o que levou a novos bombardeios israelenses no território libanês. O cenário preocupa a comunidade internacional e levanta o risco de uma ampliação ainda maior da guerra na região.
