Anuário da Segurança Pública acende alerta para saúde mental de policiais no Piauí

A divulgação do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, realizada na última quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, trouxe um alerta que vai além dos indicadores de criminalidade. Pela primeira vez, a publicação dedica um capítulo específico à saúde mental dos profissionais da segurança pública, colocando em evidência a necessidade de ampliar políticas permanentes de acolhimento, prevenção e acompanhamento psicológico nas corporações.

No Piauí, os dados apontam redução no número de suicídios entre policiais da ativa. Em 2024, foram registrados quatro casos entre policiais militares e civis. Em 2025, esse número caiu para um, representando redução de 75%. A taxa passou de 0,49 para 0,12 caso por mil policiais da ativa. Os registros ocorreram apenas na Polícia Militar, enquanto a Polícia Civil não contabilizou casos nos dois anos analisados.

Em âmbito nacional, o levantamento também mostra queda. O Brasil registrou 110 suicídios entre policiais militares e civis da ativa em 2025, contra 126 no ano anterior, redução de 12,7%. Apesar do recuo, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca que a saúde mental dos agentes permanece como um dos principais desafios institucionais das forças de segurança.

O tema ganha relevância porque evidencia uma dimensão pouco debatida da segurança pública. Além do enfrentamento diário à violência, policiais convivem com jornadas prolongadas, situações de alto estresse, contato frequente com eventos traumáticos e grande responsabilidade funcional. O Anuário reforça que esses fatores exigem ações contínuas voltadas ao cuidado psicológico e ao fortalecimento de redes de apoio dentro das corporações.

No Piauí, a redução dos registros representa um indicador positivo, mas o próprio Anuário ressalta que a prevenção ao adoecimento mental deve ser tratada como política permanente, independentemente da oscilação dos números. O fortalecimento de programas de acolhimento, acompanhamento especializado e promoção da saúde emocional é apontado como uma das estratégias para proteger os profissionais responsáveis pela segurança da população.

A inclusão desse capítulo no Anuário amplia o debate sobre a valorização dos agentes de segurança pública e abre espaço para discussões sobre condições de trabalho, assistência psicológica e medidas preventivas, temas que devem ganhar cada vez mais relevância na formulação de políticas públicas voltadas às corporações.

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