STF mplia lei maria da penha para proteger mulheres de todas as violências de gênero

Lei será aplicada nas eleições de outubro contra violência política

Em uma decisão com impacto significativo, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou nesta quarta-feira (19) que a Lei Maria da Penha, promulgada em 2006, deve abranger todas as formas de violência de gênero contra a mulher, expandindo seu escopo para além de relações domésticas, familiares ou íntimas. A Corte também estendeu a aplicação da lei para o período eleitoral, visando combater a violência política de gênero contra candidatas.

Com a nova interpretação, a Justiça Eleitoral passa a ter a prerrogativa de conceder medidas protetivas, como afastamento do agressor, proibição de aproximação, uso de tornozeleira eletrônica e prisão preventiva, mecanismos já previstos na legislação.

A decisão unânime reverteu um julgamento em Minas Gerais que havia negado proteção a uma mulher, sob o argumento de inexistência de vínculo afetivo com o agressor, seu vizinho.

O caso em questão envolvia um vizinho que, acreditando em um relacionamento amoroso, passou a ameaçar a mulher, levando-a a sofrer crises de ansiedade e pânico.

Em um dos episódios, ele a ameaçou de morte caso não se relacionasse com ele. O voto do presidente do STF, Edson Fachin, que considerou a violência contra a mulher um fenômeno estrutural, foi fundamental.

Ele ressaltou que a proteção legal não se limita a vínculos afetivos, mas a qualquer interação onde a violência tenha como base o gênero. Ministros como Flávio Dino defenderam a aplicação da lei nas eleições para salvaguardar candidatas, e Cármen Lúcia, única mulher na Corte, enfatizou que a lei protege a mulher em qualquer circunstância, condenando o feminicídio como um ato de poder.

Com informações de: AGBR

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