Regula Piauí supera 316 mil atendimentos, mas tempo de espera por consultas ainda exige transparência

O Sistema Regula Piauí contabilizou 316.773 atendimentos ambulatoriais entre janeiro e outubro de 2026, distribuídos por 187 especialidades médicas e serviços especializados. Apesar do volume divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), os dados apresentados não esclarecem quantos pacientes continuam aguardando consultas e exames, nem o tempo médio de espera em cada especialidade. A ausência dessas informações dificulta uma avaliação mais ampla sobre a capacidade da rede pública de atender à demanda da população.

Segundo levantamento divulgado pelo Governo do Estado no sábado (24), o sistema registrou média de 1.131 atendimentos por dia. As áreas de Cirurgia Geral e Ortopedia e Traumatologia lideram a procura, com 39.768 e 39.677 registros, respectivamente. Juntas, representam aproximadamente um quarto dos atendimentos contabilizados no período.

Na sequência aparecem Ginecologia, com 16.998 atendimentos; Dermatologia, com 11.383; Urologia, com 10.618; e Otorrinolaringologia, com 9.634. Também figuram entre as especialidades mais procuradas Pediatria, Cardiologia, Triagem de Catarata e Psiquiatria.

As dez áreas de maior demanda concentram 50,1% dos registros. Os números, entretanto, correspondem a consultas e exames vinculados às especialidades e não significam, necessariamente, que procedimentos cirúrgicos tenham sido realizados.

O Regula Piauí é responsável por organizar o encaminhamento de pacientes para serviços especializados da rede estadual do Sistema Único de Saúde (SUS). O acesso começa, geralmente, nas unidades básicas de saúde, onde o paciente recebe avaliação e, quando necessário, encaminhamento para consultas, exames ou procedimentos.

Desde agosto de 2024, hospitais estaduais passaram a utilizar o sistema para organizar os agendamentos eletivos. Em Teresina, a medida abrange unidades como o Hospital Getúlio Vargas, Hospital Infantil Lucídio Portella, Hospital Natan Portella e Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa.

Embora a centralização permita organizar a distribuição de vagas, o funcionamento da plataforma não elimina a necessidade de acompanhar a demanda reprimida. Informações como quantidade de solicitações pendentes, tempo de espera por especialidade, disponibilidade de profissionais e diferenças entre municípios são fundamentais para avaliar a efetividade da política pública.

Em orientações disponibilizadas pelo Governo do Estado, a própria administração informa que o sistema de regulação ambulatorial não está configurado para apresentar ao paciente sua posição na fila. O cidadão consegue verificar se a solicitação permanece aguardando vaga ou se já existe agendamento, mas não tem acesso à classificação numérica de sua espera.

Essa limitação levanta questionamentos sobre a transparência do processo, especialmente para pacientes que dependem de acompanhamento especializado ou de exames necessários à definição de diagnósticos e tratamentos.

Outro desafio está na comunicação dos agendamentos. Em março deste ano, a Sesapi implantou um fluxo de confirmação de consultas e exames aos sábados, após identificar dificuldades de usuários para acessar a plataforma e visualizar os procedimentos marcados automaticamente.

A estratégia prevê contato telefônico com pacientes, principalmente de Teresina, para informar datas, horários e locais de atendimento. A medida busca reduzir faltas decorrentes de problemas de comunicação e evitar o desperdício de vagas disponíveis.

Como parte da ampliação dos canais de acesso, a secretaria também disponibilizou o Regula Fácil, ferramenta de atendimento pelo WhatsApp voltada aos moradores dos 224 municípios piauienses. O serviço oferece orientações sobre solicitações de consultas e exames, sem substituir a avaliação médica e os critérios utilizados para encaminhamento dos pacientes.

O atendimento pode ser iniciado pelo número (86) 99825-7855. Já o acompanhamento das solicitações é realizado na plataforma Regula Piauí, mediante informação do CPF e do número do protocolo.

Para uma avaliação mais completa dos resultados, ainda é necessário conhecer a evolução das filas ao longo do ano e identificar se o crescimento dos atendimentos foi acompanhado por redução efetiva do tempo de espera.

Os dados divulgados até agora demonstram a dimensão da atividade da rede estadual, mas não permitem concluir, isoladamente, que a demanda reprimida tenha diminuído ou que os pacientes estejam conseguindo atendimento dentro de prazos considerados adequados.

A divulgação periódica desses indicadores, acompanhada da distribuição regional das vagas e da identificação das especialidades mais sobrecarregadas, permitiria compreender melhor os avanços e as dificuldades enfrentadas pela população que depende do SUS no Piauí.

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