
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é apontado por representantes do mercado financeiro como uma opção para comandar o Ministério da Fazenda no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de 2027. Seu nome circula entre investidores que aguardam a definição da equipe econômica e uma sinalização sobre a condução das contas públicas.
Fonteles, porém, afirmou na segunda-feira (26) que não conversou com Lula sobre ocupar cargos no governo federal e que pretende assumir o novo mandato no Piauí. “Eu nunca tratei com o presidente da República sobre qualquer cargo”, declarou.
A receptividade ao nome do governador está associada à sua formação acadêmica e à experiência na administração das finanças estaduais. Entre os representantes do setor financeiro que manifestaram avaliação favorável está Ettore Marchetti, CEO da EQI Asset. “O Fonteles pelo menos é alguém que entende de economia, com excelente formação”, afirmou.
O debate sobre a composição da equipe econômica ocorre após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. A reação negativa dos mercados, com queda da Bolsa e alta do dólar, ampliou a expectativa por uma escolha capaz de sinalizar compromisso com a disciplina fiscal e estabelecer diálogo com investidores.
Além de Fonteles, o vice-presidente Geraldo Alckmin aparece entre os cotados para o cargo. A permanência do atual ministro, Dario Durigan, também é considerada. A definição sobre o comando da Fazenda dependerá da decisão de Lula e das articulações para a formação do próximo governo.
No Piauí, a possibilidade de uma indicação mobilizou dirigentes do PT. O presidente estadual do partido, deputado Fábio Novo, defendeu na terça-feira (27) que Fonteles aceite um eventual convite para integrar a equipe do presidente. A manifestação foi apresentada como opinião pessoal, sem confirmação de convite ou negociação.
Aos 41 anos, Fonteles reúne experiência na área fiscal. Comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí de 2015 a 2022, na gestão de Wellington Dias, e presidiu o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). Antes de chegar ao governo, atuou como professor e consultor de investimentos.
Formado em Matemática pela Universidade Federal do Piauí, concluiu a graduação em dois anos e o mestrado no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) aos 21 anos. Em 2026, foi reeleito governador no primeiro turno, com 70,90% dos votos válidos.
À frente do Executivo estadual, adotou uma regra fiscal em 2025 para limitar o crescimento de despesas e tem defendido parcerias com a iniciativa privada. Sua atuação inclui a busca por investimentos em setores como energia renovável e economia digital.
Ao comentar o cenário após a eleição presidencial, Fonteles evitou antecipar medidas econômicas para o próximo mandato de Lula. Afirmou que caberá ao presidente apresentar suas decisões no momento oportuno e defendeu seu compromisso com as contas públicas. O governador mantém a intenção declarada de permanecer à frente do Executivo piauiense.
