
O dispositivo móvel de Daniel Vorcaro, antigo acionista do Banco Master, apreendido pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero, emergiu como um pilar investigativo crucial, cujas informações alcançaram o Supremo Tribunal Federal (STF).
Os dados extraídos do aparelho foram meticulosamente analisados pela PF, resultando em relatórios detalhados que subsidiaram novos procedimentos e diligências. Na última sexta-feira, 11, o ministro Cristiano Zanin solicitou acesso integral a esse material, relacionado à Petição 15.556, buscando compreender a profundidade e a forma como os vestígios digitais do aparelho foram transformados em evidências concretas.
A análise empreendida pela PF, detalhada em um documento de 218 páginas, demonstra como diferentes fragmentos de informação digital, como logs do sistema operacional e registros de uso de aplicativos, podem ser cruzados para reconstruir atividades realizadas no aparelho, mesmo quando o conteúdo direto de uma comunicação não está mais disponível.
O processo não se limita a desbloquear o aparelho e navegar por mensagens; envolve a extração e o processamento de uma vasta quantidade de dados.
Para isso, foram utilizadas ferramentas como o Indexador e Processador de Evidências Digitais (IPED) e o Cellebrite Reader, que permitem gerenciar e pesquisar grandes volumes de informações obtidas de dispositivos eletrônicos, assegurando a preservação da integridade da prova através da cadeia de custódia.
O ministro Zanin, ao solicitar a íntegra da mídia contendo os dados extraídos, e não apenas o relatório conclusivo, busca garantir que todos os ministros do STF tenham a mesma capacidade de examinar a matéria-prima da investigação.
A PF esclareceu que o relatório de 218 páginas representa um recorte do trabalho realizado em 72 horas, focado em pesquisas específicas e não exaustivas.
A análise aprofundada dos vestígios, incluindo logs de sistema e arquivos temporários, permitiu à PF reconstruir ações, como a sequência de abertura do aplicativo Notas, captura de tela e envio subsequente de mensagem pelo WhatsApp, mesmo em casos de conteúdos de visualização única, demonstrando a capacidade forense de ir além do conteúdo aparente.

Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Ministro do STF, Cristiano Zanin
Com informações de: PORTAL-IG
