Número de casos de dengue cai, mas Sesapi não relaxa no enfrentamento

Ocimar Alencar – supervisor de entomologia da Secretária Estadual de Saúde do Piauí SESAPI

Mesmo com uma queda de quase 53% nos casos de dengue no estado em 2025, a Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) intensificou o combate ao mosquito transmissor da doença. O Portal Aualize entrevistou o supervisor de entomologia da Secretária Estadual de Saúde do Piauí – SESAPI, Ocimar Alencar, que explica como órgão está enfrentando o problema.

Renato Bezerra: Doutor, como está a situação atual da dengue no estado?

Ocimar Alencar: Atualmente, temos 1.463 casos de dengue. Para efeito de comparação, no mesmo período do ano passado, tínhamos 4.145 casos. Isso representa uma redução de 64,7%.

Renato Bezerra: A que se deve essa queda significativa nos casos?

Ocimar Alencar: Esse resultado se deve a um conjunto de ações. Intensificamos a comunicação com os municípios e criamos um painel das arboviroses, que é público e atualizado semanalmente. Esse painel traz dados sobre casos de dengue, chikungunya e Zika, permitindo um acompanhamento detalhado da situação epidemiológica.

Além disso, realizamos reuniões semanais com as regionais de saúde e os municípios para discutir os números de casos e a presença do Aedes aegypti. Também fazemos quatro pesquisas anuais, conforme determinado pelo Ministério da Saúde, para identificar quais municípios têm maior presença da larva do mosquito.

Renato Bezerra: Como essas pesquisas ajudam no combate ao mosquito?

Ocimar Alencar: Elas nos permitem tomar decisões antecipadas. Quando identificamos um grande número de larvas, sabemos que há uma maior probabilidade de aumento nos casos de dengue. Com isso, intensificamos ações de limpeza e outras medidas preventivas. Além disso, orientamos os agentes de controle de endemias a direcionarem seus esforços para áreas críticas. Por exemplo, se um bairro apresenta um grande número de larvas, os agentes devem concentrar seu trabalho nessa região específica, em vez de atuarem dispersos. Também avaliamos os depósitos predominantes para cada local: se forem pneus, fazemos o recolhimento adequado; se forem terrenos baldios, acionamos a prefeitura para providenciar a limpeza.

Renato Bezerra: Esses esforços estão sendo suficientes para controlar a dengue?

Ocimar Alencar: O controle do Aedes aegypti nunca é 100% garantido, mas temos conseguido bons resultados. A redução no número de casos em relação ao ano passado mostra que as medidas adotadas estão sendo eficazes. No entanto, o combate ao mosquito exige um trabalho contínuo e integrado.

Renato Bezerra: Como a população pode contribuir nesse combate?

Ocimar Alencar: A participação da população é essencial. Os agentes de endemias passam em cada residência a cada dois meses, mas a biologia do mosquito mostra que ele leva apenas 7 a 10 dias para se desenvolver do ovo ao mosquito adulto. Isso significa que não dá para esperar apenas a visita dos agentes. Cada morador deve inspecionar sua casa diariamente e eliminar possíveis criadouros. Pequenas ações, como tampar caixas d’água, eliminar recipientes com água parada e manter o quintal limpo, fazem toda a diferença no controle do mosquito.

Renato Bezerra: Então, além das ações do governo, o envolvimento da população é um fator determinante?

Ocimar Alencar: Exatamente. O combate à dengue não depende apenas das autoridades. É um trabalho conjunto, que envolve comunicação, limpeza e conscientização. O ponto fraco do Aedes aegypti é a fase larval, pois ele precisa de água para se reproduzir. Se eliminarmos os criadouros, evitamos que ele se torne um problema maior.

Renato Bezerra: Obrigado pelas informações, doutor. É importante que todos façam a sua parte nesse enfrentamento à dengue.

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