Nordeste: 27 milhões de ataques xenofóbicos após 1º turno eleitoral

Levantamento da Ativaweb DataLab analisou 32,8 milhões de interações nas redes sociais

Nas 72 horas seguintes ao primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, realizado em 4 de outubro, a região Nordeste foi palco de cerca de 27 milhões de menções carregadas de hostilidade e críticas nas redes sociais.

Esse volume representa 82,2% das mais de 32,8 milhões de interações monitoradas, que incluíam compartilhamentos e links relacionados ao comportamento eleitoral nordestino no período. A pesquisa, denominada “O Nordeste no Banco dos Réus”, foi conduzida pela Ativaweb DataLab e divulgada pelo jornalista Carlos Madeiro, do UOL, em 8 de outubro.

De acordo com o levantamento, apenas 17,8% das manifestações, totalizando aproximadamente 5,8 milhões, apresentaram um tom neutro ou favorável aos habitantes da região.

Os dados indicam que a maior parte desses conteúdos depreciativos se originou nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. O monitoramento registrou uma média alarmante de 456 mil menções por hora, o que equivale a mais de 7.600 por minuto, embora esses números englobem diversas formas de interação e não se refiram exclusivamente a publicações originais ou usuários individuais.

Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab e líder do estudo, ressaltou que a repercussão dos eventos excedeu a mera discordância política, atingindo a própria identidade regional. “Quando o Brasil começa a apontar o dedo para uma de suas regiões, a disputa eleitoral já ultrapassou a política e chegou à dignidade”, declarou Maracajá.

Ele também ponderou que a magnitude das manifestações poderia sugerir uma mobilização coordenada, embora essa seja uma interpretação e os dados brutos não comprovem a origem única dos conteúdos.

A análise abrangeu dados públicos de plataformas como Facebook, Instagram, TikTok, X, Kwai e comentários do YouTube, identificando que os ataques se manifestam não apenas por meio de insultos diretos, mas também por meio de associações negativas relacionadas à origem e ao padrão de voto dos nordestinos.

As categorias mais frequentes de manifestações incluíram vergonha e autodepreciação (26,9%), associação do voto à pobreza e dependência econômica (22,1%), e questionamentos sobre a capacidade intelectual dos eleitores (18,3%). Outras duas categorias, desumanização e segregação territorial – esta última propondo a separação do Nordeste –, representaram 12,5% cada.

Protesto contra a xenofobia em Boa Vista | Foto: Yolanda Mêne/Amazônia Real

Com informações de: O Nordeste no Banco dos Réus”

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