Maior goleada da história do Brasileirão pertence ao Corinthians; relembre

Na última segunda-feira, o Flamengo venceu o Vitória, no Maracanã, por 8 a 0, na 21ª rodada do Brasileirão 2025. O placar elástico chamou a atenção da torcida do futebol brasileiro, afinal são números impressionantes considerando a disputa entre clubes na elite do futebol nacional. Mas você sabia que a maior goleada deste campeonato ainda pertence ao Corinthians?

Na noite do 9 de fevereiro de 1983, o time da Democracia Corinthiana entraria em campo para enfrentar o Tiradentes, do Piauí, no returno da fase de grupos da competição. A equipe piauiense estava em sua quinta participação na primeira divisão nacional, sendo um dos principais times do estado na década entre 70 e 80. O jogo marcou um chocolate: 10 a 1 para o Timão, goleada que até hoje é a maior registrada no Campeonato Brasileiro — confira como foi o jogo abaixo.

A lista das goleadas considera apenas as edições de 1971 para frente, quando o Campeonato Brasileiro passou a ter este exato mesmo nome. Neste parâmetro, a goleada do Flamengo em 2025 ocuparia a terceira posição, empatada com outros diversos duelos. Mas é a primeira se considerada apenas as edições de pontos corridos (desde 2003). O Vasco detém a vice-liderança, com a mesma diferença de gols da partida feita pelo Corinthians (o Timão fica à frente pelo número de gols marcados). Veja as cinco maiores goleadas da primeira divisão:

  • 1. Corinthians 10 x 1 Tiradentes – 1983
  • 2. Vasco da Gama 9 x 0 Tuna Luso – 1984
  • 3. Flamengo 8 x 0 Fortaleza – 1981
  • 3. Guarani 8 x 0 Ríver Atlético – 1982
  • 3. Flamengo 8 x 0 Vitória – 2025 (pontos corridos)

Como foi o jogo do Timão contra o Tiradentes?

Naquele edição de Campeonato Brasileiro, em 1983, o grupo do Corinthians era composto por Fluminense, CSA, Fortaleza, além do próprio Tiradentes. Nesta primeira fase, todos jogavam contra todos do grupo em turno e returno e os três primeiros se classificavam. No turno, o Corintians foi surprendido para o rival do Piauí no estádio Albertão em Teresina. A partida do 10 a 1 seria o primeiro jogo do returno do agrupamento.

No Canindé, o Corinthians tinha o mando de jogo sob os olhos de 17.821 torcedores. A escalação do técnico Mário Travaglini apresenta um time misto: Solito; Alfinete, Mauro, Daniel González e Wladimir; Paulinho, Zenon, Biro-Biro e Sócrates; Ataliba e Paulo Egídio. Ainda entraram Eduardo Amorim e Viotti durante o espetáculo, nos lugares de Zenon e Ataliba.

Para nova surpresa, o jogo começou quente e com vantagem do Tiradentes. Aos 18 minutos, o Corinthians cometeu um pênalti e Sabará inaugurou o marcador. Daí em diante, só deu Timão.

Aos 24 minutos, Ataliba recebeu de Alfinete e mandou uma bomba na mão de um dos marcadores rivais. Sócrates fez a cobrança de pênalti e empatou o duelo. Poucos minutos depois, em uma jogadaça coletiva, o próprio doutor virou: Wladimir tocou em Ataliba, que de calcanhar e de primeira achou o lendário camisa 8 invadindo a área; este último só precisou bater para o gol.

Ainda na primeira etapa: Biro-Biro faria o terceiro de cabeça após cruzamento de Paulo Egídio, Sócrates anotaria um hat-trick para marcar o quarto gol do Timão de falta, e Paulo Egídio faria o quinto sem goleiro após cruzamento rasteiro de Alfinete. Antes das equipes descer ao intervalo, o placar já mostrava um 5 a 1.
Sócrates vestindo a camisa preta com listras brancas do Corinthians

No segundo tempo o ritmo embalou. O sexto gol veio logo aos quatro minutos, nos pés de Ataliba, que recebeu um passe dentro da área, dominou para o alto e bateu de voleio. O sétimo foi de Wladimir, jogador que mais vestiu o manto do Corinthians na história: ele recebeu cruzamento de Paulo Egídio e virou uma bicicleta para marcar o gol mais bonito da partida (que é recheada de golaços).

Zenon chegou a mandar uma bola no travessão, antes do oitavo gol do Corinthians sair do passe de Sócrates para uma arrancada fenomenal seguida de finalização do Paulo Egídio. O Doutor estava inspirado e além da assistência ainda faria o nono gol do Timão em novo pênalti na segunda etapa, seu quarto no jogo. O décimo e último gol da equipe alvinegra foi de Vidotti, que recebeu dentro da pequena área, virou o corpo e bateu no cantinho.

Inflamado pela goleada, o Corinthians classificaria à segunda fase na liderança daquele grupo. A equipe ainda avançaria à terceira fase, após enfrentar um novo agrupamento com Vasco da Gama, Bahia e Campo Grande. Porém, nesta última antes dos playoffs, acabou não garantindo a vaga: o Timão ficou em terceiro lugar em um grupo com Flamengo, Goiás e Guarani (apenas os dois primeiros passavam).

Aquele time comandado por Sócrates faria história pelo modus operandi dentro do clube: um sistema onde os próprios jogadores e membros da diretoria decidiam em conjunto qualquer tomada de atitude fora e dentro do campo. Marcado por um exemplo de Democracia em meio à Ditadura Militar, este Corinthians se tornaria bicampeão paulista em 1982 e 1983.

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