Lula reforça alianças em defesa da soberania brasileira

Lula e Xi Jinping durante encontro em Pequim, em maio de 2025. Foto de arquivo.
Crédito: Ricardo Stuckert/PR.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne apoio da China e da Rússia e fortalece a articulação internacional em defesa da soberania brasileira diante das pressões dos Estados Unidos. Após a reeleição, confirmada no domingo (25), os dois governos defenderam a continuidade das parcerias com o Brasil e a ampliação da cooperação política e econômica.

Na terça-feira (27), o presidente chinês, Xi Jinping, parabenizou Lula e manifestou interesse em aprofundar a coordenação estratégica entre os países. No dia anterior, Vladimir Putin havia destacado a parceria com Brasília e associado a vitória do brasileiro à defesa da soberania e dos interesses nacionais.

As manifestações dão continuidade às conversas realizadas antes da eleição. Em julho, Pequim declarou apoio à independência brasileira e oposição à interferência externa. Em agosto, Lula e Putin discutiram comércio, fornecimento de fertilizantes e diesel e atuação conjunta em organismos internacionais.

A aproximação ocorre em meio ao desgaste com Washington. Nesta quinta-feira (29), Donald Trump afirmou que pretende conversar com Lula, mas voltou a questionar a eleição brasileira. Em julho, o governo americano também anunciou tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, medida denunciada pelo presidente brasileiro como pressão política.

O peso dessas relações vai além dos discursos. Em 2025, o comércio brasileiro com a China movimentou aproximadamente US$ 171 bilhões, enquanto as trocas com os Estados Unidos somaram cerca de US$ 83 bilhões. Os números ajudam a explicar o desafio de ampliar parcerias e preservar canais de negociação com ambas as potências.

O professor de relações internacionais Oliver Stuenkel, da Fundação Getulio Vargas, observou, em análise publicada neste mês pelo Conselho de Relações Exteriores, que a dependência econômica brasileira dos dois países limita um alinhamento mais profundo com qualquer um deles.

A interlocução também alcança lideranças europeias e países como a Índia, que defenderam o fortalecimento das relações após a eleição. Esse conjunto de manifestações oferece espaço de negociação, embora não represente apoio irrestrito às decisões brasileiras. Os comunicados de China e Rússia tratam de cooperação diplomática e econômica, sem anunciar compromisso de defesa militar do Brasil.

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